O Geely EX2 virou alvo de disputa nas concessionárias, com estoque zerado e tempo de espera entre 45 e 60 dias, mesmo após novos carregamentos desembarcarem no país. A alta demanda travou as vendas, não por falta de interesse, mas por limitação de oferta.
O movimento acontece porque o modelo chegou com proposta agressiva: preço inicial de R$ 123.800 na versão Pro e R$ 136.800 na Max, entregando desempenho, autonomia e espaço superiores ao esperado para a faixa de entrada dos elétricos.
O gargalo está diretamente ligado à logística e ao volume importado. Em fevereiro, as vendas despencaram para apenas 193 unidades justamente porque o estoque acabou. Quando novos carros chegaram, os números voltaram a subir, com 1.157 unidades em março.
Mesmo com dois navios enviados em abril, os veículos já chegaram praticamente vendidos. A demanda segue acima da capacidade de reposição, criando filas nas lojas e limitando o crescimento do modelo no ranking.
O EX2 ocupa uma posição estratégica ao combinar preço próximo do Dolphin Mini, que parte de R$ 118.990, com porte e autonomia similares ao Dolphin GS.
Enquanto o Dolphin mantém liderança com números mais altos, o EX2 já aparece como o primeiro concorrente real com potencial de incomodar, principalmente pela relação custo-benefício.
O conjunto técnico pesa na decisão. O EX2 tem motor traseiro, algo raro na categoria, o que melhora arrancadas em subidas e reduz o diâmetro de giro para 9,9 metros, menor que o de modelos populares como o Fiat Mobi.
O espaço interno também chama atenção. São 4,13 metros de comprimento, entre-eixos de 2,65 metros e porta-malas de 375 litros, além de um compartimento dianteiro de 70 litros, algo incomum no segmento.
Mesmo na versão Pro, o pacote é completo para o preço. A versão Max amplia ainda mais a lista com tecnologia e assistência à condução.
Na versão Max, entram recursos como pacote ADAS, câmera 540°, carregador por indução, piloto automático adaptativo e atualizações remotas do sistema.
O modelo entrega uma das melhores relações entre preço, autonomia e espaço entre os elétricos de entrada no Brasil. Mesmo sem os preços promocionais de lançamento, continua competitivo frente aos rivais diretos.
A fila de espera virou consequência direta desse equilíbrio. Quem consegue aguardar encontra um carro mais completo que o Dolphin Mini em vários pontos, com desempenho superior e pacote mais robusto.
No cenário atual, o EX2 não vende mais porque não consegue. Se houver regularidade no estoque, o impacto sobre os líderes do segmento tende a crescer rapidamente.