O CEO da Ford dirigiu as picapes chinesas e soltou uma frase que virou debate: por que ele disse que a BYD Shark não é uma Ranger?
O CEO global da Ford, Jim Farley, comentou publicamente suas impressões após dirigir duas picapes chinesas híbridas plug-in, a BYD Shark e a GWM Poer. O executivo afirmou ter gostado dos veículos, mas avaliou que eles ainda não atingem o mesmo nível de robustez de modelos tradicionais utilizados para trabalho pesado, como Ford Ranger e Toyota Hilux.
As declarações foram feitas durante uma visita à Austrália para acompanhar o Grande Prêmio de Fórmula 1, etapa em que a Ford participa como parceira técnica da equipe Red Bull Racing. Durante a viagem, Farley testou os dois modelos eletrificados que vêm ganhando espaço em diferentes mercados.
Segundo ele, os veículos apresentam características interessantes, mas ainda demonstram diferenças importantes quando comparados a picapes tradicionais desenvolvidas há décadas para uso intensivo.
Comparação com Ranger e Hilux
Ao comentar a BYD Shark, Farley destacou que o modelo possui proposta diferente quando analisado sob o ponto de vista de capacidade de carga e uso profissional.
“A Shark é uma picape, mas se você colocar 500 kg na caçamba, ela não é uma Ranger ou uma Hilux”, afirmou o executivo.
Apesar da comparação direta, o chefe da Ford acrescentou que o produto pode ser atraente para consumidores que buscam eletrificação e não utilizam a picape diariamente em atividades de trabalho pesado.
A avaliação indica que as novas caminhonetes híbridas plug-in podem ocupar um espaço intermediário no mercado, atendendo usuários urbanos ou recreativos que desejam tecnologia eletrificada.
Avaliação sobre a GWM Poer
Farley também comentou brevemente sobre a GWM Poer, outra picape híbrida plug-in que foi testada por ele durante a viagem.
O executivo classificou o veículo como competitivo dentro de seu segmento, sem entrar em comparações diretas com modelos da Ford.
- BYD Shark: híbrida plug-in com foco em tecnologia
- GWM Poer: picape eletrificada considerada competitiva
- Ford Ranger: referência tradicional em trabalho pesado
- Toyota Hilux: concorrente consolidada no segmento global
A análise reforça um movimento crescente na indústria automotiva, no qual fabricantes chineses têm ampliado presença em segmentos historicamente dominados por marcas tradicionais.
Resposta da GWM
Após as declarações do executivo da Ford, a GWM Brasil divulgou posicionamento destacando o reconhecimento ao desenvolvimento da empresa no segmento de picapes.
Em nota, a montadora afirmou que o comentário demonstra a competitividade dos produtos da marca e citou o histórico da empresa no mercado chinês.
“Esse reconhecimento reflete três décadas de investimento contínuo da GWM no desenvolvimento de picapes robustas, tecnológicas e versáteis”, informou a empresa.
A companhia também destacou que lidera o mercado de picapes na China há 28 anos consecutivos e afirma possuir participação superior a 50% nesse segmento no país.
Até o momento da publicação das declarações, a BYD não havia se manifestado oficialmente.
Disputa por um dos segmentos mais lucrativos
Durante a entrevista, Farley também comentou que as picapes médias continuam sendo uma das categorias mais lucrativas da indústria automotiva global. Segundo ele, isso explica o interesse crescente de novas fabricantes nesse mercado.
O executivo ressaltou que montadoras tradicionais possuem décadas de experiência no desenvolvimento de chassis, capacidade de carga e sistemas de reboque, fatores considerados fundamentais para veículos utilizados em atividades profissionais.
| Modelo citado | Tipo |
| Ford Ranger | Picape média tradicional |
| Toyota Hilux | Picape média global |
| BYD Shark | Picape híbrida plug-in |
| GWM Poer | Picape híbrida plug-in |
Mesmo com as comparações, Farley afirmou que a Ford também tem interesse em ampliar sua presença no mercado de picapes eletrificadas. A empresa já prepara uma versão híbrida plug-in da Ranger, modelo que deverá chegar a diferentes mercados nos próximos anos.
A estratégia faz parte de um cenário mais amplo de transformação na indústria automotiva, no qual fabricantes tradicionais e novas marcas disputam espaço em um dos segmentos mais importantes para a rentabilidade global do setor.














