SUV chinês de R$ 210 mil desafia Compass e Corolla Cross, e a tecnologia dele pode mudar a forma como os elétricos são usados no Brasil
A chegada de novas marcas chinesas ao mercado brasileiro ganhou mais um capítulo com o Leapmotor C10, um SUV de grande porte que tenta resolver um dos principais obstáculos enfrentados pelos carros elétricos no país: a dependência de infraestrutura de recarga.
O modelo adota uma solução tecnológica ainda pouco comum no Brasil. Na versão REEV, sigla para elétrico de autonomia estendida, o veículo é movido exclusivamente por um motor elétrico instalado na traseira, enquanto um motor a combustão funciona apenas como gerador de energia para a bateria.
Na prática, o sistema elimina a necessidade de depender exclusivamente de tomadas ou eletropostos. A bateria pode ser recarregada normalmente na rede elétrica e permite rodar pouco mais de 100 km em modo totalmente elétrico. Quando essa carga se aproxima do fim, o motor 1.5 aspirado entra em funcionamento para gerar eletricidade e alimentar o sistema.
Como funciona o sistema REEV
Diferentemente de híbridos convencionais ou plug-in, o motor a gasolina não movimenta as rodas do C10 em nenhum momento. Sua função é apenas produzir energia elétrica para manter a bateria carregada.
Isso significa que o comportamento ao volante continua sendo típico de um carro elétrico. O torque instantâneo e a resposta rápida permanecem presentes, já que apenas o motor elétrico transmite força ao eixo traseiro.
- Motor elétrico traseiro com 215 cv
- Torque de 32,6 kgfm
- 0 a 100 km/h em cerca de 8,2 segundos
- Motor 1.5 aspirado com 88 cv usado apenas como gerador
O consumo informado gira em torno de 13 km/l quando o sistema utiliza gasolina para gerar energia, com autonomia aproximada de 600 km. Um detalhe curioso é que a eficiência permanece semelhante tanto na cidade quanto na estrada, comportamento diferente da maioria dos híbridos ou elétricos convencionais.
Dimensões e proposta de mercado
Com 4,74 metros de comprimento, o C10 é maior que muitos SUVs médios vendidos no Brasil. O entre-eixos de 2,82 metros ajuda a explicar o espaço interno amplo, especialmente para os ocupantes do banco traseiro.
O modelo chega ao mercado com preço de tabela de R$ 220 mil, mas atualmente aparece anunciado por cerca de R$ 210 mil para compradores pessoa física no próprio site da marca.
Esse posicionamento coloca o SUV abaixo de versões topo de linha de modelos conhecidos do mercado brasileiro, como Jeep Compass flex, Toyota Corolla Cross e Renault Boreal, além de custar cerca de R$ 40 mil a menos que o BYD Song Plus.
Pontos que incomodam no uso diário
Apesar da proposta tecnológica diferente, alguns aspectos do carro chamam atenção negativamente no uso cotidiano.
Grande parte das críticas está ligada à usabilidade e à ausência de soluções comuns em carros atuais.
Entre os pontos citados estão a ausência de Android Auto e Apple CarPlay, algo que a própria marca afirma que será resolvido em futuras atualizações do modelo.
Outro detalhe envolve o sistema de abertura das portas. A chave funciona como um cartão que precisa ser aproximado de um ponto específico da porta do motorista para destravar ou travar o veículo, procedimento que pode complicar o acesso ao carro em algumas situações.
A falta de botões físicos também exige adaptação, já que ajustes como os dos retrovisores externos dependem da central multimídia.
Desempenho e comportamento na estrada
Se por um lado há críticas relacionadas à interface e ergonomia, por outro o comportamento dinâmico é um dos pontos que mais agradam.
A aceleração rápida se beneficia do torque instantâneo típico de motores elétricos, enquanto a distribuição de peso entre os dois eixos contribui para um comportamento mais estável em acelerações fortes.
O conjunto também oferece recursos avançados de assistência à condução. O SUV traz pacote completo de assistências com condução semiautônoma de nível 2, além de câmeras 360 graus com visualização tridimensional e função que permite observar obstáculos próximos ao veículo.
Dentro da cabine, o destaque fica para o espaço traseiro amplo, o teto panorâmico e o sistema de iluminação interna que muda de cor de acordo com a música reproduzida.
Mesmo com esse conjunto tecnológico, o Leapmotor C10 ainda chega como uma proposta relativamente nova no mercado brasileiro. A aceitação do público, especialmente em um segmento dominado por híbridos tradicionais e SUVs flex, dependerá de como a tecnologia REEV será percebida pelos consumidores nos próximos meses, enquanto a marca inicia sua expansão comercial no país.














