Vaga de emprego que paga bem, tem vista deslumbrante e boa autonomia, mas tem um pouquinho de frio; Trabalhar na Antártida não é aventura de cinema, é emprego formal com salário e contrato
Reino Unido e Estados Unidos abrem recrutamento para trabalhar na Antártida
O British Antarctic Survey, órgão responsável pelas bases científicas do Reino Unido no continente antártico, e o United States Antarctic Program, dos Estados Unidos, estão recrutando profissionais para atuar na próxima temporada de verão no extremo sul do planeta. As vagas não se restringem a cientistas e pesquisadores: incluem funções operacionais essenciais para manter as estações em funcionamento.
Segundo o British Antarctic Survey, até 150 novos profissionais são contratados por ano. Cerca de 70% das posições são operacionais, envolvendo eletricistas, carpinteiros, encanadores, chefs, médicos, paramédicos e outros técnicos. Os salários começam em £ 31.244 por ano, com viagem, hospedagem, alimentação e equipamentos adequados ao frio custeados pela instituição.
Halley VI monitora gelo e atmosfera sob temperaturas negativas extremas
Uma das cinco estações administradas pelo British Antarctic Survey é a Halley VI, instalada sobre a plataforma de gelo Brunt, próxima à costa. A base monitora dados espaciais e atmosféricos e participa do acompanhamento do buraco na camada de ozônio, além de estudar o comportamento da plataforma, que se desloca cerca de 400 metros por ano.
Durante o verão antártico, entre novembro e meados de fevereiro, a temperatura pode alcançar -15°C, considerada amena para os padrões locais. Em períodos mais severos, os termômetros chegam a -40°C, com média próxima de -20°C. A luz do dia é praticamente contínua, e o pôr do sol pode se estender por semanas.
Rotina rígida e convivência intensa são maiores desafios, diz diretora de RH
Mais do que o frio, a convivência constante e a falta de privacidade costumam ser apontadas como os maiores obstáculos por quem já trabalhou nas bases. A acomodação é feita em dormitórios compartilhados, o consumo de álcool é limitado e as equipes atuam em escala de sete dias por semana.
A diretora de Recursos Humanos do BAS afirma que muitos candidatos subestimam o impacto da vida coletiva em um ambiente isolado. A rotina segue regras definidas pelo chefe da estação, e o cumprimento de protocolos de saúde e segurança é obrigatório.
Processo seletivo inclui testes de perfil e treinamento prévio
O processo de seleção envolve avaliação da capacidade de lidar com conflitos e resolver problemas, seguida de treinamento rigoroso antes do embarque. Ao todo, cerca de 5 mil pessoas trabalham na Antártida durante o verão, distribuídas por aproximadamente 80 estações de pesquisa operadas por cerca de 30 países.
Durante o inverno, quando o continente permanece na escuridão por meses, o número de profissionais cai significativamente. Parte da equipe retorna aos seus países de origem, enquanto um grupo reduzido permanece nas bases para manter operações essenciais.
Perfil buscado combina qualificação técnica e resiliência emocional
Especialistas em saúde mental que atuaram em ambientes de alto risco, como forças armadas, observam que o isolamento prolongado e a dinâmica social intensa podem gerar tensões difíceis de administrar. Ao mesmo tempo, o perfil que se candidata a viver na Antártida tende a prosperar sob pressão controlada e desafios físicos constantes.
Segundo o G1, apesar das exigências, profissionais que retornam relatam satisfação por contribuir com pesquisas ambientais e pela experiência única de observar baleias, focas e colônias de pinguins-imperadores em um dos ecossistemas mais preservados do planeta. Para quem aceita as regras e o frio, o continente gelado oferece algo raro no mercado de trabalho: emprego formal em um dos lugares mais extremos da Terra.














