Afastado do STJ, Marco Buzzi segue recebendo R$ 44 mil; relato de funcionária expõe medo e bastidores da crise no STJ.
O afastamento do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, abriu uma crise silenciosa na cúpula do Judiciário. Acusado por duas mulheres de assédio sexual, ele foi retirado das funções por decisão unânime do plenário, mas continuará recebendo salário mensal de R$ 44 mil durante a apuração.
A medida impede o uso de gabinete, equipe e veículo oficial. A remuneração, porém, é preservada até eventual decisão final, sob o argumento de garantir o devido processo legal.
Relato da segunda vítima detalha medo e vulnerabilidade
A segunda denunciante, funcionária terceirizada que trabalhou no gabinete em 2023, afirmou que os episódios ocorreram de forma recorrente. Segundo o depoimento prestado ao Conselho Nacional de Justiça, colegas presenciaram momentos em que ela deixava a sala chorando ou pedindo ajuda.
Ela relatou temor de perder o emprego e disse ter pensado em pedir demissão, mas dependia da renda. O caso expõe a fragilidade de trabalhadores terceirizados diante de estruturas hierárquicas rígidas.
Salário mantido reacende debate sobre privilégios
A manutenção da remuneração provocou reações fora do tribunal. Especialistas apontam que a regra evita punição antecipada. Críticos veem distanciamento entre norma jurídica e percepção social de justiça.
- Salário mensal mantido: R$ 44 mil
- Afastamento aprovado por unanimidade
- Proibição de uso de estrutura institucional
- Sindicância interna em andamento
Defesa fala em inocência e questiona afastamento
A defesa do ministro sustenta que ele é inocente e classificou o afastamento como desnecessário. Argumenta que Buzzi já estava em licença médica de 90 dias, com atestado psiquiátrico, e que não haveria risco à investigação.
O processo segue sob sigilo. Não há acusação formal até o momento. A tipificação dos fatos dependerá da conclusão da sindicância e eventual manifestação do Ministério Público.
O caso coloca o STJ diante de um teste institucional: apurar com rigor sem romper garantias fundamentais. Entre silêncio e expectativa, o tribunal aguarda a conclusão que poderá redefinir não apenas o destino de um ministro, mas a confiança pública na Corte.
Foto de capa: O ministro Marco Buzzi, do STJ – Gil Ferreira/Agência CNJ/Divulgação.















