Darren Beattie, assessor de Donald Trump, tem visto revogado pelo Governo Lula
O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta sexta-feira (13) a revogação do visto de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o Itamaraty, a decisão foi tomada após a identificação de omissão e falseamento de informações no pedido de visto apresentado em Washington.
Beattie pretendia visitar o Brasil na próxima semana. A viagem incluía uma tentativa de encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que acabou ampliando o episódio para além de um simples procedimento consular e o transformou em um tema de peso no debate diplomático entre Brasília e Washington.
Motivo da revogação do visto
De acordo com o Itamaraty, o cancelamento foi baseado na legislação brasileira e em normas internacionais relacionadas à concessão de vistos. O ministério informou que a solicitação apresentada pelo assessor americano continha informações consideradas incompletas ou inconsistentes sobre o motivo da viagem.
“Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, informou a assessoria do Ministério das Relações Exteriores.
Na prática, a decisão impede a entrada de Beattie no país, ao menos nas condições em que o pedido foi feito. A medida foi confirmada poucas horas depois de declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caso.
Declaração de Lula sobre a entrada no país
Durante agenda no Rio de Janeiro, Lula comentou a tentativa de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que o assessor americano só poderá entrar no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tiver seu visto liberado pelos Estados Unidos.
Segundo o presidente, o governo norte-americano cancelou em 2025 o visto da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. O visto do próprio ministro estava vencido na ocasião, o que impediu formalmente o cancelamento do documento.
- Lula afirmou que o assessor foi impedido de entrar no Brasil
- O presidente citou o bloqueio de vistos ligados ao ministro Alexandre Padilha
- A declaração foi feita durante compromisso oficial no Rio de Janeiro
Ainda no evento, Lula afirmou que Padilha está sendo protegido pelo governo brasileiro, em referência ao episódio envolvendo os vistos.
Decisão do STF também bloqueou visita
A tentativa de encontro com Jair Bolsonaro já havia sido barrada um dia antes pelo Supremo Tribunal Federal. Na quinta-feira (14), o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa do ex-presidente para autorizar a visita de Darren Beattie.
Na decisão, Moraes afirmou que a viagem do assessor do governo americano não havia sido comunicada oficialmente à diplomacia brasileira e não fazia parte de uma agenda diplomática formal.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado autorização para que o encontro ocorresse na próxima semana, entre segunda-feira (16) e terça-feira (17). O pedido incluía também a entrada de um tradutor na prisão.
Preocupação com possível ingerência externa
Antes da decisão do STF, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia manifestado preocupação com o episódio. Em ofício encaminhado ao Supremo, o chanceler afirmou que a visita poderia ser interpretada como ingerência em assuntos internos do Brasil.
“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro.”
A avaliação foi incluída no documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes e passou a integrar os argumentos considerados no processo.
O pedido de Bolsonaro ao Supremo
O pedido de autorização para a visita foi apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro na terça-feira (10). Os advogados informaram ao Supremo que Darren Beattie estaria em viagem oficial ao Brasil e que pretendia realizar o encontro durante a passagem pelo país.
Beattie atua no Departamento de Estado dos Estados Unidos e é responsável por temas relacionados ao Brasil dentro da estrutura do governo americano.
Com a revogação do visto e a decisão do Supremo impedindo o encontro com Bolsonaro, a viagem do assessor ao Brasil permanece indefinida enquanto o episódio continua repercutindo nas relações diplomáticas entre os dois países.














