Quem é Erika Hilton? De Franco da Rocha para o Brasil; Conheça a Biografia da Deputada eleita presidenta da comissão da mulher 2026

Erika Hilton nasceu em Franco da Rocha, tornou-se vereadora em São Paulo e deputada federal. Em 2026, faz história ao assumir a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara.
Publicado por em Política dia | Página 3/3
Publicidade

A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados em 2026 colocou novamente em evidência uma trajetória política que começou na periferia da Grande São Paulo e ganhou projeção nacional ao longo da última década. Nascida em Franco da Rocha, na região metropolitana paulista, Hilton se tornou uma das figuras mais conhecidas da política brasileira contemporânea ao romper sucessivas barreiras institucionais.

Pedagoga de formação, ativista e parlamentar, Erika Hilton construiu carreira pública marcada pela atuação em temas ligados a direitos humanos, igualdade racial e políticas voltadas à população LGBTQIA+. A eleição para comandar a comissão representa mais um marco em uma trajetória que já inclui passagens pela Câmara Municipal de São Paulo e pela Câmara dos Deputados.

Infância em Franco da Rocha e início da militância

Erika Santos Silva, nome civil da parlamentar, nasceu em 9 de dezembro de 1992, em Franco da Rocha. Criada em uma família de mulheres, cresceu na periferia da Grande São Paulo e enfrentou, ainda jovem, situações de exclusão social após assumir sua identidade de gênero.

Relatos feitos pela própria deputada em entrevistas e debates públicos apontam que, durante a juventude, viveu períodos de vulnerabilidade antes de retomar os estudos e se aproximar de movimentos sociais ligados à defesa de direitos.

Ela cursou Pedagogia e também estudou Gerontologia na Universidade Federal de São Carlos, experiência acadêmica que ajudou a direcionar sua atuação política para temas ligados à educação e às políticas sociais.

O episódio que marcou a entrada no ativismo

A entrada de Erika Hilton na militância política ganhou visibilidade em 2015, após um episódio envolvendo uma empresa de transporte rodoviário em São Paulo. Na ocasião, a companhia se recusou a emitir uma passagem com o nome social da ativista.

O caso gerou mobilização nas redes sociais e levou Hilton a organizar campanhas públicas em defesa do direito de pessoas trans utilizarem seus nomes sociais em serviços e documentos. A repercussão da mobilização projetou seu nome dentro de movimentos de direitos humanos e abriu caminho para sua entrada na política institucional.

Primeiras disputas eleitorais

A primeira candidatura veio em 2016, quando Erika Hilton disputou uma vaga na Câmara Municipal de Itu pelo PSol. A tentativa não resultou em eleição, mas ampliou sua visibilidade no debate político.

Dois anos depois, em 2018, ela integrou a chamada Bancada Ativista, uma candidatura coletiva que disputou vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. O grupo foi eleito e adotou um modelo de mandato compartilhado, reunindo representantes de diferentes causas sociais.

A experiência consolidou o nome de Hilton no cenário político paulista e abriu caminho para sua candidatura própria nas eleições municipais seguintes.

Eleição histórica na Câmara de São Paulo

Nas eleições municipais de 2020, Erika Hilton foi eleita vereadora da capital paulista com mais de 50 mil votos. O resultado teve repercussão nacional: ela se tornou a primeira mulher trans eleita para a Câmara Municipal de São Paulo e também uma das candidatas mais votadas daquele pleito.

O mandato começou em janeiro de 2021. Durante sua atuação no Legislativo municipal, Hilton participou de debates sobre políticas sociais, combate à fome e direitos humanos.

Também presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, posição que ampliou sua visibilidade no debate público.

Eleição para a Câmara dos Deputados

Em 2022, Erika Hilton lançou candidatura para deputada federal por São Paulo, novamente pelo PSol. O resultado confirmou o crescimento político da parlamentar: ela foi eleita com 256.903 votos.

A votação fez dela a primeira mulher negra e trans eleita para a Câmara dos Deputados. O mandato teve início em fevereiro de 2023.

No Congresso Nacional, a deputada passou a atuar principalmente em pautas relacionadas a direitos humanos, igualdade racial e políticas de inclusão social.

Entre as iniciativas de destaque está a criação de uma frente parlamentar voltada à defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ e participação em comissões relacionadas a direitos humanos.

Atuação no Congresso e liderança partidária

Durante o mandato como deputada federal, Erika Hilton ocupou posições relevantes dentro da estrutura da Câmara. Em 2023, assumiu a vice-presidência da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial.

Também participou de investigações legislativas, incluindo a comissão que analisou os ataques ocorridos em Brasília em janeiro de 2023.

Em 2024, foi escolhida líder da bancada do PSol na Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a liderar um partido no Congresso Nacional.

Presidência da Comissão dos Direitos da Mulher

Em março de 2026, Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A escolha ocorreu em votação com 11 votos favoráveis e dez votos em branco.

A eleição marcou outro ponto inédito na política brasileira: Hilton se tornou a primeira mulher trans a presidir o colegiado.

Durante o discurso de posse, a parlamentar afirmou que pretende conduzir a comissão com foco na defesa de políticas públicas voltadas às mulheres em diferentes contextos sociais.

Entre as prioridades anunciadas estão a fiscalização da rede de proteção às mulheres, o enfrentamento da violência política de gênero e a ampliação de políticas de saúde voltadas ao público feminino.

Com a nova presidência instalada, a comissão inicia os trabalhos legislativos do ano discutindo projetos ligados à proteção social, à igualdade de direitos e às políticas públicas para mulheres, temas que devem dominar a agenda do colegiado ao longo das próximas sessões no Congresso Nacional.

Linha do tempo da trajetória política de Erika Hilton

  • 1992 — Erika Santos Silva nasce em 9 de dezembro em Franco da Rocha, município da região metropolitana de São Paulo.
  • 2015 — Ganha visibilidade pública após mobilização contra uma empresa de transporte que se recusou a emitir passagem com seu nome social, episódio que impulsiona sua atuação em movimentos de direitos humanos.
  • 2016 — Disputa sua primeira eleição pelo PSol, concorrendo ao cargo de vereadora em Itu, no interior de São Paulo, mas não é eleita.
  • 2018 — Passa a integrar a Bancada Ativista, candidatura coletiva eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo, experiência que consolida sua presença no cenário político paulista.
  • 2020 — É eleita vereadora da cidade de São Paulo com mais de 50 mil votos, tornando-se a primeira mulher trans eleita para a Câmara Municipal da capital paulista.
  • 2021 — Inicia mandato como vereadora e assume protagonismo em debates sobre políticas sociais e direitos humanos na Câmara Municipal de São Paulo.
  • 2022 — É eleita deputada federal por São Paulo com 256.903 votos, tornando-se a primeira mulher negra e trans eleita para a Câmara dos Deputados.
  • 2023 — Assume o mandato na Câmara dos Deputados e passa a atuar em comissões ligadas a direitos humanos, igualdade racial e inclusão social.
  • 2024 — Torna-se líder da bancada do PSol na Câmara dos Deputados, sendo a primeira mulher trans a ocupar a liderança de um partido no Congresso Nacional.
  • 2026 — É eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir o colegiado.

Foto de capa: © Lula Marques/Agência Brasil

Siga o Carro.blog.br no Google e receba notícias automotivas exclusivas!

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.