Flávio Bolsonaro criticou Moraes após a visita de um assessor de Trump a Bolsonaro ser barrada pelo STF, caso que acabou envolvendo o Itamaraty
A negativa do Supremo Tribunal Federal para a visita de um assessor ligado ao ex-presidente americano Donald Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro abriu mais um capítulo de tensão política em Brasília. O episódio ganhou novos contornos nesta sexta-feira, 13 de março, quando o senador Flávio Bolsonaro voltou a criticar publicamente o ministro Alexandre de Moraes e classificou a decisão como fruto de uma paranoia sobre interferência estrangeira.
O caso envolve Darren Beattie, assessor associado ao governo Trump, que pretendia visitar Bolsonaro enquanto o ex-presidente cumpre pena e está internado em Brasília. Bolsonaro foi levado ao hospital DF Star após apresentar sintomas como calafrios, vômitos e queda na saturação de oxigênio, sendo diagnosticado com broncopneumonia e internado na Unidade de Terapia Intensiva.
Autorização inicial foi revogada pelo STF
A visita de Beattie chegou a ser autorizada inicialmente pelo próprio Alexandre de Moraes, mas a decisão foi revista posteriormente. O ministro concluiu que o encontro não estava vinculado à finalidade diplomática que justificou a concessão do visto ao assessor americano.
Segundo a decisão judicial, a presença de Beattie no Brasil estava relacionada exclusivamente à participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, evento programado para ocorrer em São Paulo no dia 18 de março. A visita a Bolsonaro, portanto, não constava entre os compromissos oficialmente comunicados às autoridades brasileiras.
- Darren Beattie recebeu visto para participar de fórum econômico em São Paulo.
- A visita a Bolsonaro não fazia parte da agenda diplomática oficial.
- Moraes revogou a autorização inicialmente concedida.
- O STF apontou ausência de comunicação às autoridades diplomáticas brasileiras.
Reação de Flávio amplia confronto político
A decisão provocou reação imediata do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência da República. Ao deixar o hospital DF Star, onde visitava o pai internado, Flávio afirmou que o episódio estaria sendo tratado de forma exagerada pelas autoridades brasileiras.
O senador afirmou que a proibição da visita cria um problema diplomático desnecessário entre Brasil e Estados Unidos. Em declarações públicas e em publicações nas redes sociais, Flávio também acusou Moraes de provocar atritos internacionais sem justificativa.
“Tem que parar com essa paranoia de que alguém está vindo ao Brasil para interferir”, disse o senador ao comentar a decisão judicial.
As críticas também foram direcionadas à condução institucional do caso, que, segundo o parlamentar, estaria ampliando a tensão entre os dois países.
Governo revogou visto do assessor americano
Enquanto o debate político avançava, o governo federal decidiu revogar o visto concedido a Darren Beattie. A decisão foi confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Rio de Janeiro.
Segundo o presidente, a medida foi adotada enquanto os Estados Unidos não regularizarem a situação do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de familiares.
Interlocutores do Ministério das Relações Exteriores indicaram que a decisão foi tomada com base no princípio diplomático da reciprocidade, mecanismo utilizado em relações internacionais quando um país aplica medidas equivalentes às adotadas por outro.
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