STF: Vorcaro vai continuar preso: O voto que falta pode mudar tudo no caso que abalou o Banco Master
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta sexta-feira para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central após problemas de caixa que impediram o cumprimento de compromissos financeiros.
Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques votaram a favor da manutenção da prisão. Falta apenas o voto de Gilmar Mendes, que tem prazo até a próxima sexta-feira para se manifestar na sessão virtual aberta pelo tribunal.
Vorcaro foi preso no início de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Após a detenção, ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.
Relator cita estrutura de intimidação
O relator do caso no Supremo, ministro André Mendonça, autorizou a prisão preventiva após receber informações da Polícia Federal que indicavam a existência de uma estrutura montada para monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias do banqueiro.
Segundo Mendonça, os elementos apresentados apontam para um grupo organizado que operava sob comando direto de Vorcaro.
Trata-se de organização composta por indivíduos coordenados por Phillipe Mourão e Marilson Roseno, sob liderança inequívoca de Daniel Vorcaro.
No voto apresentado nesta sexta-feira, o ministro também rejeitou a tese da defesa de que um grupo de mensagens chamado A Turma seria apenas uma conversa informal entre conhecidos.
De acordo com o relator, o material analisado pela Polícia Federal indica que o grupo funcionava como uma estrutura organizada para ações de intimidação.
Investigação cita ameaças e grupo armado
As investigações apontam ainda para indícios de ameaças diretas feitas contra pessoas ligadas ao banco ou ao círculo de relações do empresário.
O ministro destacou que integrantes do grupo teriam perfil violento e que existem registros de ameaças de morte contra um ex-funcionário de Vorcaro.
- Grupo de mensagens chamado A Turma teria estrutura organizada
- PF aponta indícios de ameaças e intimidação
- Coordenação atribuída a dois aliados próximos do banqueiro
- Daniel Vorcaro apontado como líder das decisões
Na mesma decisão que autorizou a prisão do banqueiro, Mendonça também determinou a detenção de Phillipe Mourão e Marilson Roseno, identificados pela investigação como responsáveis pela coordenação do grupo.
Mourão, conhecido pelo apelido Sicário, atentou contra a própria vida pouco depois de ser preso. Ele chegou a ser levado para um hospital, mas morreu após o atendimento médico.
Suspeição de ministro mudou relatoria
O processo passou por mudança de relatoria após o ministro Dias Toffoli se declarar suspeito para julgar o caso. A decisão foi tomada por motivo de foro íntimo.
O movimento ocorreu depois de surgirem questionamentos sobre negócios passados envolvendo uma empresa da família do ministro e um fundo ligado ao Banco Master.
A Polícia Federal chegou a produzir um relatório sobre possíveis conexões entre Toffoli e Vorcaro. O documento, porém, acabou descartado pelo Supremo, que entendeu haver irregularidade na investigação de um ministro da Corte sem autorização judicial.
- Dias Toffoli declarou suspeição no caso
- Relatório da PF sobre contatos com Vorcaro foi descartado
- Relatoria passou para André Mendonça
Com três votos já registrados, a maioria da Segunda Turma está formada para manter o banqueiro preso preventivamente. Mesmo assim, o julgamento continua aberto até o voto final de Gilmar Mendes, que ainda pode apresentar divergência ou acompanhar os colegas no plenário virtual do Supremo.














