Comprar um carro no Brasil continua sendo uma decisão que vai muito além do preço na concessionária. Em 2025, a desvalorização mostrou seu peso de forma clara e atingiu modelos populares, elétricos e até picapes médias, com perdas relevantes em apenas 12 meses segundo a Tabela Fipe.
O levantamento do Automaistv considera o valor de tabela atual em relação ao preço de compra quando novos em 2024 e revela um padrão preocupante. Sedãs como o Chevrolet Onix Plus, antes vistos como aposta segura de revenda, passaram a sofrer com a queda da procura e maior pressão do mercado de usados. Entre os elétricos, a desvalorização foi ainda mais agressiva, reflexo direto de descontos recorrentes no zero km, rápida evolução tecnológica e receio do consumidor com custo de manutenção, autonomia e revenda futura. Modelos como BYD Seal, JAC E-JS1 e Renault Megane E-Tech perderam perto de um quarto do valor em apenas um ano, algo impensável nesse intervalo até pouco tempo atrás.
Nem mesmo segmentos historicamente mais estáveis escaparam. A Ford Ranger XL, versão de entrada de uma das picapes médias mais desejadas do país, também entrou na lista, mostrando que nem utilitários estão imunes ao cenário atual. O mercado em 2025 deixa um recado claro para o comprador brasileiro: mais do que escolher um carro pelo design, desempenho ou status, entender o comportamento de mercado e a desvalorização passou a ser parte central da decisão, especialmente em um momento de transição tecnológica e ajustes fortes de preço no setor automotivo.
A Ford Ranger XL aparece entre as maiores desvalorizações mesmo sendo uma picape média com imagem consolidada no Brasil. A versão de entrada, voltada ao trabalho, sentiu o impacto do mercado mais fraco, da concorrência acirrada e da menor liquidez na revenda em 2025.
Mesmo sendo um dos sedãs mais vendidos do país, o Onix Plus mostrou que volume não garante proteção contra desvalorização. A versão LT 1.0 Turbo perdeu força no mercado de usados, pressionada por atualizações da linha, maior oferta e mudança no perfil do consumidor.
O sedã elétrico da BYD chamou atenção pelo desempenho elevado e proposta esportiva, mas isso não impediu uma forte perda de valor. O avanço rápido da tecnologia elétrica e os ajustes de preço no mercado zero km pesaram diretamente na Fipe.
O E-JS1, um dos elétricos mais acessíveis do país, também sofreu forte desvalorização. A combinação de baixa demanda no mercado de usados e constantes reposicionamentos de preço impactou diretamente seu valor residual.
O Megane E-Tech lidera o ranking de desvalorização entre os modelos analisados. Vendido como um elétrico sofisticado e tecnológico, acabou penalizado pela baixa liquidez, concorrência crescente e forte ajuste de preços no segmento.