A combinação de aquecimento global, crescimento populacional e mobilidade internacional intensificada mantém autoridades de saúde em alerta em 2026, mesmo após o impacto recente da pandemia de covid-19. Nesse cenário, três vírus concentram atenção: Oropouche, gripe aviária H5N1 e mpox, todos com registros recentes de expansão territorial e mudança no padrão epidemiológico.
Transmitido por mosquitos diminutos, o vírus Oropouche deixou de ser considerado restrito à região amazônica e passou a circular por diferentes áreas da América do Sul, América Central e Caribe. Identificado na década de 1950 em Trinidad e Tobago, o patógeno ganhou novo impulso a partir de 2023 e, no ano seguinte, mortes associadas à infecção foram documentadas pela primeira vez no Brasil.
Até agosto de 2025, o país concentrava 90% dos casos registrados nas Américas, com circulação confirmada em 20 estados e cinco mortes, quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. Também foram relatados episódios de transmissão vertical, de mãe para filho, enquanto investigações analisam possível relação com microcefalia e óbitos fetais.
Em 5 de janeiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde apresentou proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle, diante da ausência de vacina e de tratamento específico.
A gripe A é historicamente associada a rápida mutação e facilidade de infectar diferentes espécies. Em 2024, o H5N1, conhecido como gripe aviária, foi detectado pela primeira vez em vacas leiteiras nos Estados Unidos, ampliando o espectro de hospedeiros e elevando o nível de alerta.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos registraram 71 casos humanos e duas mortes desde 2024, sem evidências de transmissão comunitária sustentada. Estudos indicam múltiplos episódios de transmissão de vacas para humanos, em muitos casos sem sintomas aparentes.
Segundo o G1, no Brasil, houve confirmação de gripe aviária em granja comercial em 2025. O receio central das autoridades é que o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre pessoas, condição essencial para uma nova pandemia. Vacinas específicas estão em desenvolvimento, e o Instituto Butantan conduz estudos pré-clínicos de segurança.
O mpox, antes restrito a regiões específicas da África, ganhou projeção internacional em 2022, quando a variante clado IIb se espalhou por mais de cem países. A transmissão por contato físico próximo consolidou a circulação recorrente em diversos territórios.
Desde 2024, países da África Central registram aumento de infecções pelo clado I, considerado mais severo. Os Estados Unidos notificaram casos recentes em pessoas sem histórico de viagem à África, indicando possível transmissão local.
Embora exista vacina, ainda não há tratamento específico. Autoridades sanitárias monitoram a evolução do vírus ao longo de 2026, avaliando risco de novas pressões sobre sistemas de saúde.
Além desses três vírus, o chikungunya registrou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com ao menos 155 mortes até setembro. No Brasil, foram 129 mil casos e 121 mortes, segundo o Ministério da Saúde.
O vírus Nipah voltou a ser monitorado após surto no estado indiano de Bengala Ocidental, embora o Ministério da Saúde informe que não há registros no Brasil. Já o sarampo reaparece em diversos países com queda nas taxas de vacinação, ameaçando o status de erradicação em alguns territórios.