Pesquisadores identificaram alterações genéticas no sangue associadas à depressão que também aparecem em células do cérebro, indicando que o transtorno envolve o organismo de forma mais ampla e não apenas o sistema nervoso central.
O trabalho analisou milhares de amostras de sangue e revelou padrões que podem, no futuro, permitir a criação de exames capazes de identificar a presença e a intensidade da doença por meio de marcadores biológicos acessíveis.
A análise mostrou que genes desregulados em glóbulos brancos, células ligadas ao sistema imunológico, também apresentam alterações em neurônios, responsáveis pela comunicação cerebral.
A partir de mais de 3 mil amostras analisadas em bases internacionais, os pesquisadores identificaram 1.383 genes alterados, sendo que parte deles também está diretamente associada à atividade neural.
Entre os genes identificados, um grupo menor apresentou capacidade consistente de distinguir pessoas com depressão de indivíduos sem o transtorno, o que reforça o potencial uso clínico dessas informações.
Essa abordagem se baseia na ativação genética, processo em que determinados genes são ligados ou desligados conforme o ambiente e as condições do organismo, o que explica diferenças entre tipos celulares.
Os resultados apontam que a depressão está ligada a processos inflamatórios distribuídos pelo corpo, o que ajuda a explicar sintomas que vão além do campo emocional, como alterações físicas e metabólicas.
A conexão entre inflamação no sangue e sintomas no cérebro sugere que a doença envolve sistemas integrados, ampliando o entendimento sobre sua origem e evolução.
Essa relação também indica caminhos para tratamentos que atuem na inflamação como forma de aliviar sintomas, estratégia que vem sendo investigada em paralelo a abordagens tradicionais.
Segundo a CNN, o estudo identificou ainda que os mesmos genes associados à depressão aparecem em outras condições, como doenças cardiovasculares, transtornos psiquiátricos e problemas inflamatórios.
As análises também apontaram conexões com manifestações gastrointestinais e outras condições clínicas, reforçando a ideia de que a depressão atua em nível molecular em múltiplos sistemas.
Apesar dos avanços, os pesquisadores indicam que os resultados ainda precisam ser validados em estudos biológicos adicionais, etapa necessária antes da aplicação prática em exames clínicos e protocolos médicos.