Mais de um terço dos diagnósticos de câncer registrados em 2022 poderia ter sido evitado, segundo nova análise da Organização Mundial da Saúde divulgada em 14 de fevereiro de 2026, com base em estudo publicado na revista Nature Medicine. O levantamento identificou dois hábitos amplamente difundidos, fumar e consumir álcool, como os principais responsáveis por milhões de casos da doença todos os anos, em um cenário que combina escolhas individuais, políticas públicas frágeis e fatores ambientais persistentes.
A pesquisa avaliou 36 tipos de câncer em 185 países e concluiu que cerca de 7 milhões dos 18,7 milhões de novos casos diagnosticados em 2022 estavam associados a fatores modificáveis. O dado não é marginal: trata-se de uma parcela significativa da carga global da doença, o que reforça o peso de estratégias de prevenção e controle de risco na saúde pública contemporânea.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o tabagismo segue como o principal fator de risco evitável para o câncer no mundo. Em 2022, o cigarro esteve ligado a aproximadamente 15% de todos os novos casos registrados globalmente. Entre os homens, a situação é ainda mais grave: quase um quarto dos diagnósticos teve relação direta com o uso do tabaco.
O impacto não se restringe ao câncer de pulmão, embora ele seja o mais associado ao fumo. A entidade também relaciona o hábito a tumores de boca, garganta, esôfago, bexiga e pâncreas, ampliando o alcance do dano. Para os especialistas, reduzir o consumo de tabaco permanece como uma das medidas mais eficazes para diminuir a incidência da doença nas próximas décadas.
O consumo de álcool aparece como o segundo hábito mais associado ao câncer. Em 2022, foi responsável por cerca de 3,2% dos novos casos, o equivalente a aproximadamente 700 mil diagnósticos em um único ano, segundo os dados analisados na Nature Medicine.
A Organização Mundial da Saúde destaca que não há nível totalmente seguro de consumo quando o tema é risco oncológico. O álcool está relacionado a tumores de fígado, mama, intestino e esôfago, entre outros. A redução do uso, afirmam os pesquisadores, poderia evitar centenas de milhares de casos anualmente, com impacto direto nos sistemas de saúde.
Além dos hábitos individuais, fatores ambientais e infecciosos também pesam nas estatísticas globais. A poluição do ar responde por parcela significativa dos casos de câncer de pulmão em determinadas regiões. No Leste Asiático, cerca de 15% dos casos em mulheres foram atribuídos à má qualidade do ar. No Norte da África e Oeste da Ásia, o índice chega a 20% entre homens.
As infecções representam aproximadamente 10% dos novos casos globais. Entre as mulheres, o papilomavírus humano, HPV, é o principal destaque, por sua ligação direta com o câncer do colo do útero, um tipo considerado altamente prevenível por meio da vacinação e do rastreamento regular.
Ao apontar que 7 milhões de diagnósticos poderiam ser evitados, a Organização Mundial da Saúde reforça que políticas públicas de controle do tabaco e do álcool, campanhas de vacinação e melhoria da qualidade do ar não são medidas periféricas, mas centrais no enfrentamento da doença.
Segundo a Folha, a dimensão do problema, distribuída por 185 países e 36 tipos de câncer, expõe que o combate não depende apenas de avanços terapêuticos, mas de decisões cotidianas e ações estruturais capazes de reduzir riscos conhecidos e documentados.