As artérias são responsáveis por transportar oxigênio e nutrientes para todos os órgãos do corpo. Quando esse fluxo é interrompido, mesmo que parcialmente, o organismo sente. O problema é que o entupimento provocado pelo acúmulo de gordura, processo chamado de aterosclerose, costuma evoluir de forma lenta e silenciosa.
Durante anos, placas compostas principalmente por colesterol se depositam na parede interna dos vasos. Aos poucos, o espaço por onde o sangue circula diminui. Não há dor imediata, não há febre, não há sinal evidente. A ameaça cresce de maneira discreta até que a obstrução se torne significativa.
Quando isso acontece, o risco de complicações cardiovasculares aumenta de forma expressiva. Entre as consequências estão infarto, acidente vascular cerebral e até perda de tecidos por falta de oxigenação adequada.
Um especialista em cardiologia explica que o sintoma varia conforme o local da obstrução. Se a placa compromete uma artéria coronária, responsável por irrigar o coração, surge a dor torácica conhecida como angina. Geralmente aparece durante esforço físico ou situações de estresse.
Quando o bloqueio ocorre em artérias que levam sangue ao cérebro, como a carótida ou vasos intracerebrais, podem surgir déficit motor, perda de força em um lado do corpo ou formigamento súbito. Esses sinais exigem atenção imediata.
Se o problema estiver nas pernas, o quadro é chamado de claudicação intermitente. A pessoa passa a mancar e sente dor na panturrilha ao caminhar, sintoma que melhora ao parar.
Entre os sinais mais relatados estão:
O desenvolvimento da aterosclerose está fortemente associado a hábitos e condições clínicas. Tabagismo, pressão alta, sedentarismo, colesterol elevado e diabetes figuram entre os principais fatores de risco.
O histórico familiar de doenças cardiovasculares também eleva a probabilidade de desenvolver o problema. Homens a partir da meia-idade e mulheres após a menopausa estão entre os grupos considerados mais vulneráveis.
O tabagismo merece destaque: está ligado a cerca de 25% de todas as mortes por doenças cardíacas.
O desafio é que a doença muitas vezes só é descoberta quando já evoluiu para um evento grave, como um infarto. A prevenção precisa começar antes dos sintomas.
As doenças do coração e da circulação continuam sendo a principal causa de morte no mundo. No Brasil, centenas de milhares de pessoas morrem todos os anos por problemas cardiovasculares que, em muitos casos, se desenvolveram ao longo de anos sem sinais claros.
Exames de rotina são fundamentais. Um simples exame de sangue pode avaliar os níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, responsável por se depositar nas paredes das artérias.
Além disso, especialistas recomendam:
A aterosclerose não surge de um dia para o outro. É resultado de anos de exposição a fatores de risco. A boa notícia é que, com acompanhamento médico e mudanças consistentes no estilo de vida, é possível reduzir drasticamente as chances de que o silêncio das artérias termine em emergência.