Sinal de Frank: o que a marca na orelha pode revelar sobre risco de infarto após morte de Henrique Maderite
Prega na orelha pode indicar maior risco cardiovascular, segundo estudos. Especialistas explicam limites do sinal de Frank e quando investigar.
A morte do influenciador Henrique Maderite por infarto reacendeu o debate sobre o chamado sinal de Frank, uma prega diagonal no lóbulo da orelha estudada há mais de cinco décadas por sua possível associação com doença coronariana. A marca, visível em fotografias do criador de conteúdo, passou a ser apontada nas redes sociais como possível indício de risco cardíaco, o que levou especialistas a reforçar que se trata de um achado clínico que exige interpretação cuidadosa e nunca deve ser analisado isoladamente.
Sinal de Frank e infarto: o que a ciência já demonstrou
Descrito em 1973 por um pneumologista norte-americano, o sinal de Frank foi associado em estudos clínicos à presença de obstruções nas artérias do coração. Pesquisas compararam pacientes que apresentavam a prega no lóbulo com resultados de exames como cateterismo e tomografia das coronárias, encontrando correlação estatística em determinados grupos.
A hipótese mais aceita é que a dobra reflita alterações nos pequenos vasos sanguíneos e perda de colágeno, fenômenos semelhantes aos observados em artérias acometidas por aterosclerose. Essa doença é caracterizada pelo acúmulo de gordura e inflamação na parede arterial, podendo levar a infarto, AVC e doença vascular periférica.
Quando o sinal ganha relevância clínica
Segundo cardiologistas, a presença da prega pode ter maior valor em pessoas com menos de 60 anos, faixa etária em que o envelhecimento natural ainda não explica totalmente a perda de elasticidade do tecido. Em indivíduos mais idosos, a dobra pode surgir como parte do processo fisiológico de envelhecimento, reduzindo sua capacidade de indicar risco adicional.
Do ponto de vista estatístico, o sinal apresenta baixa sensibilidade, o que significa que muitas pessoas com doença coronariana não exibem a marca. Por outro lado, quando a prega está presente, alguns estudos apontam valores preditivos positivos que variam entre 60% e 90%, dependendo da população analisada.
Outras pregas e sinais periféricos
Pesquisas brasileiras também investigaram a chamada prega anterotragal, localizada próxima ao tragus, a saliência da orelha mais próxima do rosto. Em estudos conduzidos por universidade pública do interior paulista, a presença combinada das duas pregas elevou o valor preditivo positivo para cerca de 90% em determinados grupos avaliados.
Esses achados reforçam a ideia de que a aterosclerose é uma doença sistêmica, capaz de produzir manifestações periféricas visíveis, ainda que não específicas. Outros sinais físicos, como xantelasmas nas pálpebras e xantomas em tendões, também podem indicar alterações no metabolismo do colesterol.
Por que o tema ainda gera controvérsia
Parte da comunidade médica considera o sinal de Frank um epifenômeno do envelhecimento, defendendo que tanto a prega quanto a doença coronariana aumentam com a idade sem necessariamente haver relação causal direta. A variabilidade dos resultados entre estudos impede que o achado seja incorporado como critério diagnóstico formal em diretrizes clínicas.
Ainda assim, profissionais de cardiologia ressaltam que a observação pode servir como alerta para investigação mais aprofundada, sobretudo quando associada a fatores clássicos de risco, como hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol elevado e histórico familiar de infarto precoce.
O que fazer ao notar a marca
A presença da prega no lóbulo da orelha não significa que um infarto seja iminente, mas deve motivar avaliação médica adequada. A recomendação é procurar clínico geral ou cardiologista para análise global do risco cardiovascular, que pode incluir exames laboratoriais e de imagem, como doppler de carótidas e tomografia das coronárias.
No caso de Henrique Maderite, a repercussão do sinal nas redes sociais evidencia a necessidade de informação qualificada. A relevância do tema está em reforçar a prevenção: identificar fatores de risco de forma precoce permite controle mais rigoroso de doenças crônicas e redução consistente do risco de eventos graves ao longo dos anos.














