Quem cruza Balneário Camboriú com um carro comum mal imagina que, parado numa garagem da cidade, existe um veículo que custa ao dono quase o preço de um apartamento por ano só para continuar legalizado. Em 2026, o título de IPVA mais caro de Santa Catarina continua com a Ferrari LaFerrari, um exemplar 2016 que exige R$ 760.874,74 apenas em imposto estadual.
O valor não é força de expressão nem exagero estatístico. Ele nasce diretamente da avaliação oficial do carro, estimado em R$ 38.043.737, cifra que, por si só, explica por que esse mesmo modelo já liderava o ranking do IPVA catarinense em 2024 e 2025. Não houve surpresa, apenas a confirmação de que, no topo do mercado automotivo, a conta nunca para de crescer.
A LaFerrari não é um superesportivo qualquer. Produzida em apenas 499 unidades no mundo, ela marca um ponto de virada na história da fabricante italiana ao ser o primeiro híbrido da marca. Sob a carroceria, a combinação de um motor V12 a gasolina de 800 cv com um sistema elétrico de 163 cv entrega uma potência conjunta de 963 cv, número que a coloca em um patamar inalcançável para quase qualquer outro carro de rua.
Na prática, esses números se traduzem em acelerações que parecem mais próximas de um caça do que de um automóvel. O zero a 100 km/h em 3 segundos, a chegada aos 200 km/h em 7 segundos e a marca de 300 km/h em 15 segundos ajudam a entender por que a velocidade máxima declarada chega a 350 km/h. Tudo isso gerenciado por um câmbio automatizado de sete marchas, com dupla embreagem, pensado para lidar com um torque de 91,7 kgfm sem comprometer a dirigibilidade.
Mesmo parada, a Ferrari segue pesando no bolso do proprietário. O IPVA da LaFerrari é quase o dobro do segundo colocado no ranking estadual, também da marca italiana. A chamada “medalha de prata” ficou com a Ferrari Daytona SP3, que terá um imposto de R$ 399.871,46. A diferença escancara o abismo que existe mesmo entre carros milionários quando entram em cena raridade, valor de mercado e critérios fiscais.
Santa Catarina manteve para 2026 a alíquota de 2% para carros e utilitários, nacionais ou importados. É essa taxa que transforma a avaliação do veículo em um imposto anual de seis dígitos. A Secretaria da Fazenda do estado divulgou o calendário em 16 de dezembro, confirmando que não haverá mudança nas regras para automóveis desse tipo, enquanto veículos com 20 anos ou mais passam a ser isentos, uma realidade que ainda está muito distante para a LaFerrari.
O pagamento pode ser feito à vista, parcelado em até três vezes sem juros ou dividido em até 12 parcelas no cartão, com encargos. Desde agosto, também existe a opção via PIX, um detalhe quase irônico diante de valores que ultrapassam com folga o orçamento anual de muitas famílias.
No fim das contas, a LaFerrari não chama atenção apenas pelo desempenho ou pela exclusividade. Ela se tornou um símbolo claro de como o custo de manter um hipercarro no Brasil vai muito além da compra. Em Santa Catarina, ao menos por mais um ano, nenhum outro veículo cobra tão caro simplesmente para continuar rodando legalmente pelas ruas.