A Chevrolet não mexeu no design ou no motor do Onix 2026 só por capricho de ficha técnica. O verdadeiro “plot twist” está escondido sob a tampa do motor: a nova correia dentada banhada a óleo. Parece detalhe de mecânico, mas é o tipo de mudança que evita que um carro morra antes da hora — e que já rendeu polêmica suficiente pra virar pauta de grupo de WhatsApp de dono de Onix.
Essa correia não é só borracha com dentes. Ela ganhou mais fibra de vidro e mantém o revestimento de teflon, criando uma armadura contra o maior vilão dessa história: o óleo errado. Antes, se o lubrificante não seguisse a especificação da GM, a correia podia esfarelar, entupindo dutos e bomba de óleo. O final desse filme era previsível: luz no painel, fumaça e uma retífica cara.
A engenharia da GM agora garante que, mesmo que o óleo inadequado seja usado, as partículas não vão travar o sistema. Elas passam pelo motor sem causar um infarto mecânico imediato. Mas não é carta branca pra ignorar o manual: usar o lubrificante certo, com selo Dexos 1 Gen 2 ou superior, continua sendo a diferença entre rodar anos sem drama ou virar freguês da oficina.
O trauma com esse tipo de correia não é só do Onix. A Stellantis, por exemplo, trocou o sistema por corrente na Europa depois de reclamações. No Brasil, a GM preferiu evoluir o projeto e ainda ampliou a garantia para 240 mil km, retroativa para todos os Onix, Tracker e Montana fabricados desde 2020. É quase um “pacto de paz” com quem já desconfiava do sistema.
Nos testes de longa duração, tanto um Onix Plus 2019 quanto um Ford Ka 1.0 2025, ambos com correia banhada a óleo, rodaram até 100 mil km e saíram intactos dessa. Mas no dia a dia, longe das planilhas de laboratório, a escolha do óleo ainda é a roleta russa que separa um motor saudável de um prejuízo.
No fim, a mudança no Onix 2026 não é sobre vender mais carro — é sobre salvar a reputação de um componente que, se maltratado, pode transformar um hatch popular em peça de museu. É engenharia de bastidor, mas que, para quem vive no trânsito e não na oficina, faz toda a diferença.
Fonte: AutoEsporte e QuatroRodas.