BYD venceu a corrida dos carros elétricos no Brasil, mas em 2026 o desafio é ainda maior

Quando olho para os números de 2025 e cruzo com o que vejo nas ruas, fica claro que a BYD deixou de ser apenas mais uma marca de elétricos para se tornar o próprio sinônimo desse mercado no Brasil. Com 71,9% de participação entre os carros 100% elétricos e mais de 57 mil unidades emplacadas segundo a Fenabrave, a chinesa não venceu a concorrência, ela praticamente correu sozinha em muitas frentes. A distância para a segunda colocada, a Volvo, que mal passou de cinco mil unidades, ajuda a dimensionar o tamanho desse domínio e explica por que hoje é difícil entrar num shopping, condomínio ou estacionamento corporativo sem cruzar com um Dolphin Mini plugado na tomada.
O que mais me chama atenção é como esse avanço deixou de ser um fenômeno de nicho e passou a fazer parte da vida cotidiana. O Dolphin Mini, com mais de 32 mil carros vendidos em um único ano, virou o elétrico “popular” do brasileiro urbano, aquele que cabe na vaga apertada, no orçamento de quem sempre comprou compacto a combustão e agora começa a falar em autonomia, tempo de recarga e custo por quilômetro com a mesma naturalidade com que antes discutia preço da gasolina. O Dolphin maior, o Yuan Plus e o Yuan Pro completam um portfólio que cobre desde o uso estritamente urbano até quem já se aventura em viagens mais longas, mostrando que a BYD entendeu cedo que elétrico não podia ser só vitrine tecnológica, precisava resolver a vida real.
Enquanto isso, marcas tradicionais ainda parecem tatear o terreno. Volvo, Geely, GWM, Chevrolet, Renault, BMW e outras aparecem no ranking, mas com volumes que, somados, mal arranham a liderança da BYD. Isso se reflete na percepção do consumidor: para muita gente, “carro elétrico” já é automaticamente “BYD”, como se a categoria tivesse encontrado um rosto definitivo.
Também pesa o contexto de preços e custos de uso. Ver um elétrico na faixa dos R$ 100 mil a R$ 120 mil, competindo diretamente com compactos a combustão, muda a conversa na concessionária. Some a isso o custo de rodar, bem mais baixo, a manutenção simplificada e incentivos como isenção de IPVA em alguns estados, e o resultado é um pacote que começa a fazer sentido não só no discurso ambiental, mas no bolso e na rotina.
A sensação que fica, para quem acompanha o setor de perto, é que 2025 marcou um ponto de virada. A BYD não apenas liderou um ranking, ela consolidou um comportamento. O elétrico deixou de ser exceção curiosa e passou a ser escolha concreta, visível, presente. E, gostemos ou não, esse novo normal no Brasil tem sotaque chinês, logotipo azul e um cabo de recarga como parte da paisagem urbana.


































