Nas concessionárias da Toyota, o silêncio nos pátios chama mais atenção do que os poucos carros disponíveis. O Corolla e o Corolla Cross, dois dos modelos mais vendidos da marca no Brasil, praticamente desapareceram. A cena é reflexo direto do colapso na cadeia de produção causado pela destruição da fábrica de motores de Porto Feliz (SP), atingida por uma tempestade que devastou 90% da planta e paralisou o fornecimento de propulsores para Sorocaba e Indaiatuba.
Na capital paulista, lojistas relatam que não há previsão de novos lotes. O Corolla Cross, antes peça-chave no mercado de SUVs médios, não pode sequer ser reservado. No caso do Corolla sedã, ainda restam algumas unidades, mas a negociação só ocorre mediante troca de um veículo usado ou seminovo, mesmo que o cliente queira pagar à vista. A estratégia reforça a escassez e revela a preocupação da rede em manter estoques mínimos diante da incerteza sobre a retomada.
O contraste fica ainda mais evidente quando se observa o Yaris Cross. Embora seu lançamento tenha sido adiado, a pré-venda continua aberta, exigindo sinal de R$ 10 mil para garantir a vaga. É uma forma de segurar parte da demanda e de manter o consumidor preso ao portfólio da marca, mesmo que os prazos de entrega ainda sejam incertos.
Para lidar com a crise, a Toyota aprovou um plano emergencial que inclui férias coletivas para trabalhadores entre 1º e 20 de outubro e a possibilidade de lay-off em sequência. A decisão foi aprovada em assembleia pelo sindicato dos metalúrgicos de Sorocaba e Região, que aceitou a proposta como alternativa para preservar empregos diante do cenário crítico.
Imagens de drone mostram a magnitude dos estragos em Porto Feliz: galpões retorcidos, linhas de montagem inutilizadas e equipamentos cobertos por destroços. A fábrica, responsável por motores 1.5 e 2.0, não retomará a produção em 2025. Sem alternativa nacional, a montadora admite avaliar a importação de motores de outras unidades globais, mas ainda sem garantia de prazos ou volumes.
A previsão, por enquanto, é sombria. A Toyota calcula que deixará de produzir cerca de 25 mil veículos no Brasil até o fim de 2025. Com a paralisação iniciada em 24 de setembro, o impacto já se espalha entre concessionários e consumidores. O vazio nas lojas transmite a dimensão de uma crise que atinge não apenas a montadora, mas toda a rede de fornecedores e trabalhadores.
A marca insiste que está empenhada em reduzir prejuízos e em restabelecer a operação o quanto antes. Mas, enquanto a normalidade não chega, o mercado brasileiro se reorganiza. Rivais ganham espaço, clientes mudam de planos, e os modelos que antes lideravam as vendas se transformam em raridade cobiçada. Nas vitrines, a ausência fala mais alto do que qualquer discurso.
Fonte: AutoEsporte e Motorshow.