Toyota paralisa produção de Corolla após desastre e pode ficar até 5 meses sem fabricar no Brasil

Produção dos modelos Corolla, Corolla Cross e Yaris está paralisada após destruição da fábrica de motores em SP; Toyota deve importar peças e atrasar lançamentos.
Publicado por em Negócios e Toyota dia | Atualizado em

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A fábrica de motores da Toyota, em Porto Feliz (SP), teve suas atividades completamente suspensas desde 22 de setembro após um vendaval devastar parte de sua estrutura. O incidente comprometeu de forma direta o fornecimento de propulsores para os modelos Corolla, Corolla Cross e Yaris Cross, que são montados nas unidades de Sorocaba e Indaiatuba. A planta é responsável pela produção dos motores 1.5, 1.8 e 2.0, incluindo os blocos híbridos flex que equipam os principais produtos da marca no Brasil.

Pontos Principais:

  • Produção do Corolla, Corolla Cross e Yaris está paralisada após danos na fábrica de motores.
  • Fábrica de Porto Feliz só deve retomar atividades em 2026, segundo sindicatos.
  • Estoque de veículos deve durar até novembro, com risco de alta nos preços.
  • Trabalhadores entram em férias coletivas e depois em layoff, com salários preservados.
  • Lançamento do Yaris Cross foi adiado sem nova previsão de estreia no Brasil.

Sem peças de reposição em estoque, a Toyota interrompeu todas as linhas dependentes dos motores nacionais e iniciou um plano emergencial. A marca confirmou que busca alternativas de fornecimento junto a outras unidades da Toyota no exterior, mas ainda não há cronograma definido para normalizar a produção local. O sindicato dos metalúrgicos da região afirmou que, no cenário mais otimista, a planta só voltará a funcionar plenamente em janeiro ou fevereiro de 2026.

A fábrica da Toyota em Porto Feliz foi atingida por um vendaval que destruiu parte da estrutura. Desde então, a produção de motores está totalmente parada.
A fábrica da Toyota em Porto Feliz foi atingida por um vendaval que destruiu parte da estrutura. Desde então, a produção de motores está totalmente parada.

Atualmente, as montadoras brasileiras operam com estoques reduzidos, suficientes para cerca de 39 dias, segundo dados da Anfavea. No caso da Toyota, esse prazo pode ser ainda menor, dado o impacto direto nas linhas de motores. A partir de novembro, a previsão é de que estoques do Corolla e Corolla Cross estejam praticamente esgotados. Concessionárias já relataram aumento na procura por unidades seminovas, antecipando possível valorização no mercado.

A empresa reforçou que todos os colaboradores estão bem e que não houve feridos durante o temporal. Para preservar empregos, foram firmados acordos entre os sindicatos das três unidades e a fabricante. Em Porto Feliz, os trabalhadores terão férias coletivas a partir de outubro e entrarão em regime de layoff por até 150 dias. Quem ganha até R$ 4.500 continuará recebendo 100% do salário. Para os demais, o acordo prevê entre 80% e 90% de reposição salarial.

Além da interrupção na produção dos veículos, a Toyota também teve de adiar o lançamento do Yaris Cross no Brasil. O SUV compacto seria apresentado no último trimestre de 2025, mas com a fábrica de motores fora de operação, o cronograma precisou ser suspenso. A montadora não deu nova previsão para o lançamento e aguarda avaliação completa dos danos estruturais na planta.

O impacto também deve se refletir nos preços. Revendedores já apontam tendência de valorização dos modelos afetados. Com demanda aquecida e baixa disponibilidade, o cenário pode favorecer reajustes mesmo sem mudanças de linha ou pacote. Em algumas regiões, há relatos de lojistas oferecendo compra imediata de modelos seminovos, especialmente das versões híbridas do Corolla.

A Toyota reforçou que recebeu apoio de fornecedores, autoridades e parceiros comerciais, e reafirmou que a segurança dos colaboradores segue como prioridade. Ainda assim, o cenário para os próximos meses é de forte incerteza. A empresa continua preparando relatórios técnicos para mapear a extensão dos prejuízos e definir um plano de recuperação viável para a unidade de Porto Feliz, que é estratégica para a operação brasileira da marca.

Fonte: AutoPapo e Vrum.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.