Toyota Hilux 2027 chega com duas propostas, uma aguenta o tranco da fazenda, a outra é urbana
Pontos Principais:
- Hilux elétrica é apresentada na Europa como a primeira versão sem motor a combustão da história do modelo.
- Autonomia declarada chega a 380 km em uso urbano, com tração integral permanente e foco em emissões zero.
- Capacidade de carga e estrutura robusta foram mantidas para preservar o perfil de trabalho da picape.
- Lançamento europeu ocorre em 2026 e, por ora, não há previsão oficial de chegada ao Brasil.

Toyota revelou a Hilux elétrica em Bruxelas com até 380 km de autonomia urbana, colocando pela primeira vez a picape em rota direta com as exigências ambientais europeias. A decisão muda o jogo de um modelo historicamente ligado ao diesel e deixa claro que a eletrificação também chegou ao território das picapes médias.
“A Hilux elétrica não perdeu a alma bruta, mas deixou claro que não nasceu para o tranco pesado da fazenda. Ela serve para cidade, frotas e trabalho diário previsível, onde silêncio e emissão zero contam. Quem precisa puxar peso, encarar chão batido e rodar longe continua melhor servido pelo diesel híbrido. Na Europa, a Toyota foi honesta, lançou duas Hilux para usos diferentes. O erro é achar que uma substitui a outra.” – Opinião do Editor
Apresentada no Salão Automóvel de Bruxelas, a Hilux elétrica nasce como resposta prática a um mercado que apertou o cerco contra emissões e não aceita mais soluções de transição eternas. Não é conceito nem promessa distante, é um modelo pronto para venda, com chegada às concessionárias europeias prevista para abril de 2026. Para a Toyota, trata-se de preservar relevância em um continente onde o diesel perdeu espaço político e comercial.
A nova configuração elétrica utiliza uma bateria de 59,2 kWh e dois motores, um em cada eixo, garantindo tração integral permanente. A autonomia homologada é de 257 km no ciclo combinado europeu, número que sobe para até 380 km no uso urbano. Na prática, o recado é direto, essa Hilux faz mais sentido em cidades, serviços públicos, frotas e operações regionais, onde o deslocamento diário é previsível e o silêncio do elétrico vira vantagem.

Mesmo sem o motor a combustão, a Toyota optou por não mexer na essência da Hilux. A capacidade de carga é de 715 kg e o limite de reboque chega a 1,6 tonelada. O chassi sobre longarinas segue intacto, assim como a altura livre do solo de 212 mm e a capacidade de travessia de alagamentos de 700 mm. São números que deixam claro que a eletrificação não transformou a picape em um produto urbano frágil, mas em uma adaptação dentro do possível.
“A Hilux elétrica é um recado claro da Toyota para a Europa, ela não veio para substituir o diesel, mas para garantir presença onde emissões viraram fator decisivo. Com autonomia urbana declarada de 380 km e foco em frotas e uso regional, faz sentido no contexto europeu. Para o Brasil, não há previsão oficial e nem urgência, já que infraestrutura, custo e perfil de uso ainda favorecem o diesel. Se vier, será mais adiante, quando o elétrico fizer sentido fora do marketing.” – Opinião do Editor
A versão elétrica passa a conviver com o conhecido motor 2.8 turbodiesel equipado com sistema mild hybrid de 48 volts, que continuará sendo o principal pilar de vendas da Hilux na Europa. Esse conjunto mantém até 1 tonelada de carga útil e capacidade de reboque de 3,6 toneladas, atributos ainda essenciais para quem usa a picape como ferramenta de trabalho pesado. Motores totalmente a combustão, sem qualquer eletrificação, ficarão restritos a alguns mercados do Leste Europeu.

O calendário da marca mostra que a eletrificação não é um movimento isolado. Além da Hilux elétrica, a Toyota confirmou uma futura versão movida a hidrogênio, com célula de combustível, prevista para 2028. A estratégia deixa claro que a empresa aposta em múltiplas soluções, reconhecendo que o segmento de picapes ainda não tem uma resposta única para todos os usos.
Concorrente direta da Ford Ranger, a Hilux entra nessa nova fase sob pressão. A rival vem mantendo desempenho forte de vendas na Europa e na Austrália, e a resposta da Toyota passa não apenas por motores, mas também por imagem. O modelo adota uma abordagem de design chamada internamente de Cyber Sumo, que busca equilibrar a robustez tradicional com um apelo mais urbano e de estilo de vida.
A Hilux elétrica não substitui as versões tradicionais nem pretende ser a mais vendida da gama. Seu papel é estratégico e simbólico. Pela primeira vez, um dos nomes mais conservadores do segmento aceita que o futuro da picape média também pode ser elétrico, desde que continue entregando aquilo que sempre sustentou sua reputação, força, resistência e capacidade de trabalho.


































