Carro elétrico: valor dos usados passa a ser decidido pelo estado da bateria

Bateria viciada? Saiba como medir o SOH de carros elétricos usados, entenda a desvalorização abaixo de 80% e não compre um veículo que pode te deixar na mão.
Publicado por em Usados dia

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Pontos Principais:

  • Carros elétricos usados passam a ter o valor definido principalmente pela saúde da bateria.
  • O indicador SOH começa a substituir a quilometragem como referência de desgaste.
  • Laudos e histórico de diagnóstico ganham peso na compra e na revenda.
  • Transparência sobre a bateria aumenta a confiança e reduz riscos para o comprador.
Mercado de elétricos usados no Brasil entra em fase madura em 2026 e a saúde da bateria passa a definir preço, confiança na compra e valor de revenda - Arte Digital/IA
Mercado de elétricos usados no Brasil entra em fase madura em 2026 e a saúde da bateria passa a definir preço, confiança na compra e valor de revenda – Arte Digital/IA

O mercado brasileiro de carros elétricos usados entrou em 2026 numa fase decisiva, com a saúde da bateria passando a determinar preço, confiança e liquidez na revenda. Modelos que até ontem eram novidade, como BYD Dolphin, GWM Ora 03 e Renault Kwid E-Tech, já aparecem com frequência nos classificados, e mudam o foco do comprador: não é mais só autonomia ou recarga, é quanto dessa autonomia ainda existe de verdade.

Quem procura um elétrico de segunda mão começa a perceber que o coração do carro não é mais o motor, mas o conjunto de células que guarda energia. E, diferente do tanque de combustível, ele envelhece. Devagar, quase sempre de forma previsível, mas envelhece. É aí que entra o SOH (State of Health), índice que mostra quanta capacidade a bateria preserva em relação ao que tinha quando saiu da fábrica.

Na prática, é o novo “quilometragem”. Um carro pode indicar 100% no painel e, ainda assim, carregar menos do que quando era novo. O número que interessa é outro: quanto daquela bateria ainda está inteira. E esse dado começa a influenciar a negociação, a aceitação em lojas e até o valor de troca.

“Quando alguém me pergunta como avaliar um elétrico usado, eu explico que no carro a combustão a gente olha o hodômetro, quantos quilômetros rodou, como foi mantido, se o motor ainda está inteiro. No elétrico, essa lógica muda. O número que realmente importa é a saúde da bateria, porque é ela que conta a história do uso, do tipo de recarga, do calor que enfrentou e de quanto fôlego ainda resta para o dia a dia.” – Opinião do Autor

Concessionárias e empresas de vistoria já entenderam o recado. Além da inspeção estrutural e documental, surgem laudos com leitura dos módulos de bateria, temperatura de operação, histórico de carga e degradação. Para o vendedor, isso vira argumento. Para o comprador, vira proteção.

O que realmente muda na compra de um elétrico usado

Diferente do mito de que “bateria morre de repente”, o que se vê na prática é um desgaste lento, constante e mensurável. Dados de frotas internacionais e relatos de usuários mostram que, mesmo após 100 mil km, a maioria dos carros ainda mantém boa parte da capacidade original, desde que não tenha sido submetida a abusos como carga rápida diária ou calor extremo.

O problema é que nem todo histórico é igual. Um carro que viveu em tomada lenta, climatização correta e revisões em dia envelhece melhor do que outro que passou a vida em carregadores rápidos e altas temperaturas.

Como o mercado começa a classificar a saúde da bateria

Faixa de SOH Condição prática Impacto no valor
90% a 100% Bateria próxima do novo Preço cheio ou valorizado
80% a 89% Desgaste normal de uso Negociação leve
70% a 79% Autonomia já reduzida Desconto relevante
Abaixo de 70% Uso limitado Venda difícil

Esses números não são absolutos, mas dão a referência que o mercado começa a usar. Abaixo de 80%, a conversa muda. Abaixo de 70%, o carro perde atratividade e liquidez.

O que checar antes de comprar um carro elétrico usado

  • Saúde da bateria (SOH) e relatório de diagnóstico em concessionária
  • Histórico de recargas, uso frequente ou não de carga rápida
  • Autonomia real atual em comparação com a de quando era novo
  • Garantia remanescente do conjunto de baterias
  • Atualizações de software e campanhas técnicas realizadas
  • Histórico de revisões e manutenção do sistema elétrico
  • Condição do sistema de arrefecimento da bateria
  • Laudo cautelar com verificação dos módulos e eletrônica
  • Tempo de uso em regiões de calor intenso
  • Custo e disponibilidade de peças e assistência técnica da marca

Não é burocracia, é proteção. Assim como ninguém compra um usado sem olhar motor e câmbio, cada vez menos gente fecha negócio sem saber como está o conjunto que custa mais caro no carro.

Transparência vira diferencial de valor

Na revenda, quem apresenta laudo, histórico e leitura de SOH larga na frente. O carro ganha credibilidade e evita a desconfiança que hoje ainda ronda os elétricos usados. Aos poucos, o medo dá lugar a critérios objetivos.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.