O Hyundai Tucson de primeira geração ainda circula em grande número pelas cidades brasileiras e isso não é por acaso. Lançado em uma época em que SUV médio era artigo de luxo, ele envelheceu com dignidade no que mais importa para quem busca um usado automático barato: conforto, espaço e sensação de carro grande. Hoje, com preços na casa dos 23 mil reais, ele entrega porte e rodar macio por menos do que muito hatch popular pelado.
A posição de dirigir elevada continua sendo um dos seus maiores trunfos. No trânsito pesado, a visibilidade ampla e a suspensão de curso longo filtram buracos e valetas como poucos carros dessa faixa de preço conseguem fazer. O banco é largo, o isolamento acústico é honesto e a cabine passa uma impressão de solidez que falta em muitos compactos modernos.
Sob o capô, o motor 2.0 de até 143 cv não transforma o Tucson em esportivo, mas move o conjunto com dignidade. O câmbio automático de quatro marchas é antigo, privilegia suavidade e não rapidez, mas combina bem com a proposta tranquila do carro. Em uso urbano, as trocas são macias e o rodar é relaxante, ideal para quem quer dirigir sem esforço.
O preço dessa maciez aparece no consumo. Na cidade, dificilmente passa dos 9 km/l com gasolina, e em estrada fica pouco acima disso. Não é um carro para quem conta cada centavo no posto, mas o conforto e o espaço ajudam a explicar por que muitos aceitam essa conta.
Outro ponto que pesa é a manutenção. Suspensão, freios e principalmente o câmbio automático exigem histórico claro e revisões em dia. É um carro robusto, mas pesado, e quando algo quebra, a fatura não é de compacto. Em compensação, a oferta de peças é ampla e o modelo tem fama de aguentar bem o uso severo quando cuidado.
"O Tucson é aquele carro que te abraça quando você entra: posição alta, silêncio a bordo, rodar macio e sensação de estar num degrau acima dos compactos. Ao mesmo tempo, ele te lembra a cada abastecida e a cada revisão que SUV médio custa como SUV médio, mesmo velho. Se o histórico estiver em ordem e o câmbio bem cuidado, ele ainda entrega muito conforto pelo dinheiro, mas não é compra para quem quer economizar centavos, é para quem quer dirigir relaxado e com espaço de sobra."- Opinião do Autor
Em segurança, o Tucson reflete sua época. Airbags frontais e ABS nas versões mais completas, sem assistências eletrônicas modernas. Não é referência em proteção, mas também não foge do padrão dos SUVs médios dos anos 2000.
No mercado de usados, ele disputa espaço com sedãs médios antigos e com SUVs compactos mais novos, porém menores. A escolha pelo Tucson costuma ser emocional e prática ao mesmo tempo: quem compra quer porte, conforto e presença, mesmo sabendo que está levando para casa um projeto antigo, com custos proporcionais ao tamanho.