Basta fechar a porta de um Civic de sétima geração para entender por que ele ainda é tão procurado. O som seco do encaixe, o banco baixo, a posição de dirigir que parece feita sob medida e o silêncio em marcha lenta entregam uma sensação de carro bem construído que muitos compactos atuais não conseguem reproduzir. Mesmo com mais de duas décadas de estrada, ele continua passando a impressão de produto sólido.
No uso urbano, o conjunto mecânico trabalha em harmonia. O motor 1.7 de 115 cv não empolga em arrancadas, mas se move com suavidade e regularidade, sempre acompanhado pelo câmbio automático de quatro marchas, que prioriza conforto e não esportividade. É um sedã que convida a dirigir sem pressa, com respostas progressivas e comportamento previsível, exatamente o que se espera de um carro pensado para o dia a dia.
"O Civic dessa geração é aquele carro que você entra e percebe que tudo foi feito para durar: direção leve, rodar silencioso, suspensão que ainda filtra bem o asfalto ruim e um conjunto mecânico que trabalha sem drama. Ele não é rápido, não é moderno, mas passa uma confiança difícil de encontrar em usados baratos. A conta aparece na idade, com suspensão e câmbio pedindo cuidado, mas, quando está em ordem, é um sedã que ainda entrega conforto de categoria superior por um valor que hoje compra só um compacto básico."- Opinião do Autor
A suspensão independente nas quatro rodas ainda faz diferença. O Civic absorve irregularidades com mais refinamento do que muitos modelos mais novos e transmite estabilidade em curvas longas de estrada, mantendo a carroceria assentada e a direção comunicativa. É um rodar que cansa menos em viagens e dá confiança no trânsito rápido.
O consumo, para o porte e a época, é um dos seus trunfos. Em ciclo urbano, gira em torno de 10 a 11 km/l com gasolina, e na estrada pode passar de 12 km/l, números que ajudam a manter o custo mensal sob controle. Não é econômico como um compacto moderno, mas também não assusta no posto.
Onde o Civic exige atenção é na idade. Suspensão, buchas, amortecedores e sistema de direção costumam pedir revisões, e há relatos de consumo de óleo em motores com alta quilometragem. O câmbio automático, quando negligenciado, pode se tornar o item mais caro da conta. A boa notícia é a ampla oferta de peças e a familiaridade das oficinas com o modelo, o que evita surpresas em disponibilidade.
Em segurança, ele reflete os padrões do início dos anos 2000: airbags frontais e ABS nas versões mais completas, sem controles eletrônicos de estabilidade. Não é referência em proteção, mas também não foge do que havia de melhor no segmento naquela época.
Disputa compradores com sedãs compactos mais novos e SUVs pequenos de entrada. Ainda assim, muitos escolhem o Civic pela sensação de dirigir algo mais refinado, com comportamento maduro e reputação construída ao longo de anos de uso severo nas ruas brasileiras.