O Honda Fit da primeira geração é um daqueles carros que parecem pequenos por fora, mas surpreendem assim que a porta se fecha. A posição de dirigir é alta para um compacto, o para-brisa é amplo e a sensação ao volante é de controle fácil, quase intuitivo. No trânsito urbano, ele se move com leveza e passa a impressão de ser feito sob medida para a rotina de cidade.
O motor 1.5 de pouco mais de 100 cv não empolga, mas combina bem com o câmbio CVT, que prioriza suavidade e eficiência. As arrancadas são progressivas, sem trancos, e a condução é relaxante, especialmente em congestionamentos. O Fit não convida a acelerar forte, convida a rodar tranquilo, aproveitando a fluidez do conjunto.
Onde ele realmente se destaca é no aproveitamento de espaço. O sistema de bancos rebatíveis transforma o interior em algo quase modular, capaz de levar desde bicicletas até eletrodomésticos sem esforço. Para famílias pequenas, é um coringa: compacto para estacionar, grande para viajar.
O consumo é outro ponto forte. Em ciclo urbano, gira em torno de 11 a 12 km/l com gasolina, e em estrada pode passar de 13 km/l, números que ajudam a explicar por que ele segue valorizado mesmo com mais de 15 anos de projeto. Não é só econômico, é previsível no gasto mensal.
A suspensão privilegia conforto em baixa velocidade, absorvendo bem as imperfeições do asfalto, mas em curvas mais rápidas a carroceria inclina e deixa claro que não é um carro de proposta esportiva. A direção leve e o diâmetro de giro curto facilitam manobras e reforçam a vocação urbana.
Na manutenção, o Fit tem fama de confiável, mas não tolera descuido. Trocas de óleo do câmbio CVT precisam ser rigorosas, e o sistema de arrefecimento merece atenção, especialmente em carros mais rodados. Quando bem cuidado, roda por muitos anos sem grandes surpresas; quando negligenciado, pode gerar contas altas.
Em segurança, as versões mais novas da primeira geração já traziam airbags frontais e ABS, mas nada além disso. É um pacote básico para os padrões atuais, porém adequado ao que se oferecia no segmento à época.
No mercado de usados, o Fit disputa espaço com hatches compactos mais novos e até com SUVs pequenos de entrada. Ainda assim, muitos escolhem o Honda pelo conjunto equilibrado: economia, espaço inteligente e reputação de durabilidade. É um carro que não impressiona em números de potência, mas conquista no uso cotidiano, justamente por facilitar a vida de quem dirige e de quem anda atrás.
"O Fit é aquele carro que você compra achando pequeno e descobre, no dia a dia, que ele resolve quase tudo. Cabe em qualquer vaga, mas leva gente e carga como carro maior, anda suave no trânsito e gasta pouco combustível. O CVT deixa a condução tranquila, mas exige manutenção em dia, porque quando dá problema o conserto pesa. Em bom estado, é um dos automáticos mais equilibrados para quem vive na cidade e quer praticidade sem abrir mão de confiabilidade."- Opinião do Autor