O Fiat Uno Mille 2012 é um daqueles carros que todo mundo no Brasil já viu rodando, mesmo que nunca tenha dirigido um. Ele carrega a aura dos populares que marcaram gerações, mas também traz a sombra de ser um carro velho, que já não conversa direito com a lógica do mercado atual. A pergunta que muita gente se faz é simples: ainda vale a pena comprar um Uno Mille 2012 em 2025? A resposta não é binária, e está mais ligada ao perfil do motorista e às expectativas do que ao carro em si.
O Mille sempre foi sobre simplicidade. Motor 1.0 Fire flex, pouco plástico no interior, zero sofisticação. Mas era barato, fácil de manter e aguentava o tranco. Essa equação fez dele a escolha de frotistas, motoristas iniciantes, pequenos empreendedores e de quem precisava de um carro para trabalhar sem gastar muito. Em 2012, a Fiat já preparava o fim da linha do Mille, com versões batizadas de Economy e Way, tentando colocar um pouco de charme em um projeto que já era datado. O resultado é que hoje o Mille 2012 ocupa um espaço curioso no mercado: ainda é barato, mas não tanto quanto se imagina, e está no limite entre “carro confiável” e “dor de cabeça ambulante”.
O preço é o primeiro fator que chama a atenção. A tabela FIPE aponta cerca de R$ 21 mil a R$ 26 mil pelas versões do Mille 2012, dependendo se é duas ou quatro portas. Nos anúncios online, os valores podem variar de R$ 18 mil até absurdos R$ 30 mil, dependendo do estado de conservação e da quilometragem. Isso significa que, na prática, o Mille disputa espaço com carros usados mais novos, que entregam mais conforto e segurança. Pagar R$ 28 mil em um Mille em vez de investir o mesmo em um Sandero, um Palio ou até um Ka mais recente pode soar estranho. Só que, para alguns, a matemática ainda fecha: o Mille tem manutenção mais barata e peças fáceis de achar em qualquer esquina.
O consumo, outro ponto chave, é razoável para um carro do seu tempo, mas perde feio para os compactos modernos. Em média, na cidade, ele entrega algo como 8,5 km/l no etanol e 12 km/l na gasolina; na estrada, os números sobem para algo próximo de 10 km/l com etanol e 13,5 km/l com gasolina. Não são números ruins, mas também não são empolgantes. Um Argo ou um Onix atual vai fazer igual ou melhor, com mais conforto e segurança. O Mille 2012 não foi pensado para brilhar na eficiência energética, mas sim para rodar muito gastando pouco na oficina.
No desempenho, o carro mostra de onde veio. Os 66 cv no etanol não fazem milagres. Aceleração lenta, retomadas sofridas, ultrapassagens que exigem paciência e planejamento. Na cidade, ele cumpre bem seu papel, mas em estrada fica claro que é um carro limitado. Carregado com quatro pessoas e bagagem, o Mille sofre para manter ritmo, especialmente em subidas. É uma escolha que serve para deslocamentos urbanos e curtos, mas não para quem gosta de viajar com conforto ou pressa.
Comprar um Uno Mille 2012 também é encarar um check-list de pontos de atenção. O primeiro é o motor: mesmo confiável, precisa ter sido bem cuidado. Vazamentos de óleo, desgaste em juntas, correia dentada vencida, tudo isso pode virar um gasto inesperado. Suspensão também costuma acusar o tempo, com buchas e amortecedores pedindo substituição. No câmbio, engates duros ou marchas que arranham podem indicar problemas internos. E como qualquer carro com mais de uma década de uso, ferrugem é um inimigo silencioso — principalmente em caixas de roda e partes do assoalho.
Outro detalhe que pesa é a segurança. O Mille 2012 não nasceu para ser referência nisso. Em geral, não tem airbags ou ABS nas versões mais básicas, nem estrutura reforçada para colisões. É um carro cru, de um tempo em que o consumidor aceitava menos porque não havia opção melhor. Em 2025, isso já soa inaceitável. É preciso entrar no negócio sabendo que se trata de um carro simples, sem firulas, mas também sem proteções que hoje são padrão até em hatches 1.0.
Mas por que, então, ainda há quem defenda o Mille 2012? A resposta está na praticidade. É barato de manter, mecânicos entendem de olhos fechados, peças existem em qualquer autopeça e o carro aguenta pancada. É aquele veículo que pode ficar dias rodando sem reclamar, mesmo com manutenção básica. Para quem usa em serviços de entrega, para pequenos deslocamentos ou como segundo carro, ele cumpre o papel. Além disso, tem liquidez razoável: sempre vai ter alguém disposto a comprar um Uno barato.
No fim, a decisão passa menos pelo carro e mais pelo que você busca. Se quer um carro barato, confiável para a rotina urbana e não se importa com desempenho ou conforto, o Mille 2012 ainda pode ser uma escolha válida. Mas se procura segurança, eficiência energética moderna e comodidade, há opções melhores na mesma faixa de preço. O Mille é o retrato de um Brasil que precisava de carros acessíveis a qualquer custo, e que até hoje sobrevive porque a lógica da economia popular ainda faz sentido para muita gente.
Vale a pena? Depende do seu bolso, do seu uso e da sua paciência. O Mille 2012 nunca vai ser glamouroso, mas pode ser honesto. É um carro que entrega exatamente o que promete: pouco, mas de forma confiável. E isso, para muita gente, ainda é suficiente.
Fonte: Mobiauto, Webmotors e OLX.