Será que ainda vale comprar aquele Corolla 2011 que era o orgulho da garagem, recebia uma lavagem caprichada aos domingos e parecia ter sido fabricado para acompanhar a família durante uma vida inteira?
Esse sedan custa R$ 57.556 na Tabela Fipe, enquanto a média de mercado da Webmotors gira em torno de R$ 60,5 mil, valores elevados para um sedan de 15 anos que continua confortável, tem motor resistente e espaço para a família, mas pode esconder folgas na caixa de direção, vazamentos, desgaste dos semieixos e problemas no câmbio automático capazes de deixar uma conta pesada na oficina.
O Toyota Corolla XEi 2.0 2011 pertence a uma época em que Luan Santana e Jorge & Mateus tocavam nas rádios, Adele conquistava o mundo com Rolling in the Deep e a novela Fina Estampa reunia famílias diante da televisão, enquanto os primeiros smartphones começavam a mudar os hábitos dos brasileiros, a gasolina custava aproximadamente R$ 2,70 por litro e o país sentia a desaceleração econômica depois de um período de crescimento e expansão do crédito.
A Toyota havia apresentado o motor 2.0 flex em 2010, dois anos depois da estreia dessa geração no Brasil, quando o Honda Civic dividia as atenções de quem procurava um sedan médio e o Chevrolet Vectra ainda ocupava espaço nas concessionárias, num mercado em que o câmbio automático começava a deixar de ser privilégio de automóveis caros e o Corolla conquistava compradores interessados em permanecer muitos anos com o mesmo carro.
Sentar ao volante do Corolla é voltar ao tempo dos painéis com botões grandes, instrumentos fáceis de ler e comandos que dispensam uma tela sensível ao toque, com bancos largos, direção elétrica leve e uma suspensão que suaviza as irregularidades do asfalto, enquanto o câmbio automático trabalha discretamente nos congestionamentos, embora suas quatro marchas deixem o motor mais barulhento nas acelerações fortes e revelem uma tecnologia anterior à popularização dos câmbios de seis ou mais velocidades.
O quatro-cilindros 2.0 flex entrega até 153 cv com etanol e 142 cv com gasolina, força suficiente para levar passageiros e bagagens sem transformar cada subida em sofrimento, com aceleração de 0 a 100 km/h em 11,6 segundos e velocidade máxima de 193 km/h, mas o consumo cobra sua parte, pois as médias são de 6,1 km/l com etanol e 8,2 km/l com gasolina na cidade, chegando a 9 km/l e 12,8 km/l na estrada, respectivamente, onde o tanque de 60 litros permite uma autonomia teórica de até 768 km com gasolina.
Quem viajou num Corolla dessa geração provavelmente se lembra do silêncio nas retas, do ar-condicionado funcionando durante as tardes quentes e das malas acomodadas no porta-malas de 470 litros, espaço suficiente para as férias de uma família, enquanto dois adultos encontram conforto no banco traseiro e um terceiro precisa dividir melhor o espaço dos ombros, com a suspensão macia ajudando nas viagens longas, embora o entre-eixos de 2,60 metros não ofereça tanto espaço para as pernas quanto as dimensões externas sugerem.
A caixa de direção elétrica concentra uma das reclamações mais bem documentadas dessa geração, com folgas internas capazes de produzir batidas secas quando o carro atravessa irregularidades, principalmente em baixa velocidade, problema que levou a Toyota a orientar sua rede sobre procedimentos de reparo e que pode exigir intervenção no mecanismo, mas antes de condenar a caixa é necessário verificar terminais, articulações e buchas, pois diferentes componentes da dianteira podem produzir o mesmo ruído de “toc-toc”.
O motor 3ZR-FBE utiliza corrente de distribuição e tem reputação de resistência, mas isso não impede o aparecimento de vazamentos em juntas e vedações depois de tantos anos, especialmente na região da tampa de válvulas, enquanto alguns proprietários relatam barulhos metálicos nos primeiros segundos da partida, ocorrências que precisam ser investigadas com o motor frio e sem transformar relatos individuais em defeitos crônicos, já que problemas de lubrificação, tensionadores e mecanismos de comando exigem diagnósticos diferentes.
As juntas tripoides dos semieixos são outro ponto conhecido dessa geração, pois o desgaste dessas peças pode provocar vibrações na dianteira quando o motorista acelera, inclusive depois de rodas e pneus terem sido balanceados, enquanto o câmbio automático também precisa ser testado com atenção, já que demora excessiva para engatar a ré, pancadas ao selecionar D ou patinação nas trocas não fazem parte do funcionamento esperado e podem indicar problemas hidráulicos ou internos que exigem reparos especializados.
O conforto de rodagem depende de buchas, bieletas, amortecedores e coxins em boas condições, componentes que acumulam desgaste com os quilômetros e podem transformar a passagem por uma rua esburacada numa sequência de pancadas, enquanto os faróis merecem inspeção em busca de infiltrações, o ar-condicionado precisa funcionar sem ruídos anormais e o acabamento interno pode apresentar estalos provocados por presilhas quebradas ou desmontagens anteriores, sinais que ajudam a contar como aquele exemplar foi tratado ao longo da vida.
A Toyota convocou Corolla fabricados entre março de 2008 e dezembro de 2010 para corrigir falhas no sistema de partida a frio, cuja mangueira poderia apresentar fissuras e permitir vazamento de gasolina com risco de incêndio, enquanto campanhas posteriores envolveram componentes dos airbags dessa geração, tornando indispensável verificar pelo chassi quais recalls atingem o veículo e se os reparos gratuitos foram realizados, principalmente porque um automóvel registrado como modelo 2011 pode ter saído da fábrica em 2010.
Filtros, velas, pastilhas de freio e componentes comuns de suspensão são encontrados com relativa facilidade, com muitas oficinas independentes conhecendo a mecânica do Corolla, mas uma direção danificada, um semieixo comprometido ou um câmbio automático necessitando de reparo interno podem exigir peças e mão de obra especializadas, enquanto o consumo urbano, o seguro calculado conforme o perfil do motorista e os impostos definidos pelas regras de cada estado continuam fazendo parte das despesas de um automóvel que já passou dos quinze anos de fabricação.
O Corolla XEi continua disputando compradores com o Honda Civic LXS e o Chevrolet Vectra Elite da mesma época, oferecendo uma direção mais voltada ao conforto do que à esportividade e preservando a reputação de mecânica resistente, mas a conservação precisa pesar mais que a preferência pela marca, porque um Honda bem revisado pode exigir menos reparos que um Toyota negligenciado, enquanto dentro da própria linha Corolla o GLi 1.8 oferece uma configuração mais simples e o Altis 2.0 acrescenta equipamentos e acabamento.
O Corolla XEi 2.0 2011 continua sendo um sedan agradável para pegar a estrada, transportar a família e enfrentar o trânsito sem exigir muito do motorista, com motor disposto, bancos confortáveis e manutenção conhecida, mas a compra depende de uma inspeção que inclua direção, suspensão, transmissão, vazamentos e recalls, pois sua antiga fama de indestrutível não protege o proprietário das consequências de quinze anos de descuido, e talvez essa seja a maior diferença entre comprar um Corolla bem conservado e apenas comprar um carro com o emblema da Toyota.