O Way 2010 nasce do mesmo Uno Mille de sempre, mas com uma proposta que tenta dialogar com o Brasil real. Suspensão um pouco mais alta, pneus de perfil mais robusto e a promessa implícita de aguentar melhor ruas esburacadas e estradas de terra leves. Em 2026, ele aparece no mercado por algo em torno de R$ 25 mil a R$ 27 mil, já acima das versões básicas, justamente por essa aura de “aguenta-tranco”.
No volante, a personalidade não muda. O motor 1.0 Fire de até 66 cv continua pedindo planejamento em ultrapassagens e paciência em subidas. A diferença está no contato com o solo. A altura maior filtra melhor lombadas e valetas, e o carro raspa menos em rampas de garagem, algo que, na vida urbana brasileira, vira argumento de compra.
O acerto de consumo segue como trunfo. No uso cotidiano, médias próximas de 12 km/l na cidade com gasolina são comuns, e o tanque de 50 litros garante autonomia que passa dos 600 km. Para quem roda bastante, isso significa menos paradas e previsibilidade no gasto mensal.
Conforto e acabamento continuam simples, sem disfarçar a idade do projeto. O interior é funcional, os bancos cumprem o básico e o isolamento acústico é limitado. Em segurança, o cenário é o mesmo do Mille tradicional: ausência de airbags e de controles eletrônicos, com estrutura concebida em outra época.
"Quando penso no Uno Mille Way 2010, vejo um carro que não é aventureiro de verdade, mas conversa melhor com o asfalto ruim do Brasil. Ele continua lento, simples e pouco seguro para os padrões atuais, mas compensa com custo baixo, mecânica resistente e a tranquilidade de não raspar em toda lombada. Para quem precisa de um usado barato que enfrente ruas castigadas sem drama, ele ainda faz sentido em 2026." - Opinião do Autor
O que sustenta o Way no mercado é a combinação de robustez percebida, mecânica conhecida e custo de propriedade baixo. Para quem vive em ruas ruins, enfrenta estradas de terra ocasionais e quer um carro barato de manter, a suspensão elevada vira diferencial, mesmo sem transformar o modelo em um verdadeiro “aventureiro”.