BYD domina lista de elétricos e deixa Tesla e GWM para trás no Brasil
O mercado brasileiro de carros elétricos finalmente mostra sinais claros de consolidação, e a BYD é a principal responsável por isso. Com seis modelos entre os dez mais vendidos e mais de 75% de participação, a marca chinesa conseguiu transformar domínio de tecnologia e preço competitivo em liderança absoluta. O levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostra que, entre janeiro e setembro de 2025, 53.379 veículos elétricos foram emplacados no país, sendo 40.183 deles da BYD. É uma diferença que nenhuma outra montadora conseguiu sequer reduzir neste período.
10 Modelos Elétricos Mais Vendidos no Brasil em 2025
- BYD Dolphin Mini – 20.869 unidades
- BYD Dolphin – 7.652 unidades
- BYD Yuan Pro – 3.639 unidades
- BYD Dolphin Plus – 2.705 unidades
- BYD Seal – 2.239 unidades
- BYD Dolphin Mini GS – 2.055 unidades
- Volvo EX30 Ultra – 1.621 unidades
- GWM Ora 03 Skin – 1.178 unidades
- Renault Kwid E-Tech – 1.070 unidades
- GWM Ora 03 GT – 965 unidades
A ascensão da BYD é um reflexo de uma estratégia agressiva e bem executada. Desde a chegada oficial ao Brasil, a empresa vem apostando em uma linha completa, cobrindo desde compactos urbanos até sedãs e SUVs de alto desempenho. A base dessa conquista está no Dolphin Mini, o carro elétrico mais vendido do Brasil em 2025. Ele também foi líder em 2024, o que mostra consistência em um segmento ainda considerado novo para o público brasileiro. O Dolphin Mini se destaca por entregar bom nível de conforto e eficiência, com motor de 75 cv, torque de 13,8 kgfm e autonomia de 280 km pelo ciclo do Inmetro. O consumo energético equilibrado e a manutenção simples são alguns dos pontos mais elogiados pelos proprietários.

O domínio da BYD não se limita ao compacto. O Dolphin GS, o Yuan Pro, o Dolphin Plus, o Seal e outra versão do Dolphin Mini GS também figuram entre os modelos mais vendidos. O resultado reforça o sucesso da estratégia modular da marca, que utiliza plataformas compartilhadas e componentes padronizados para reduzir custos e acelerar a produção. Essa eficiência industrial, combinada à recente nacionalização parcial de alguns modelos, contribui para a presença constante da BYD nas concessionárias e a entrega rápida ao consumidor final.
Entre os rivais, apenas Volvo, GWM e Renault aparecem com algum destaque. O Volvo EX30 Ultra figura como o sétimo mais vendido, mantendo o público premium interessado em elétricos compactos, mas com foco em desempenho. A GWM, com os dois modelos Ora 03 Skin e Ora 03 GT, vem se consolidando como uma alternativa de design mais ousado e apelo jovem. Já a Renault resiste com o Kwid E-Tech, o carro elétrico mais barato do país, vendido a R$ 99.990. Apesar do preço competitivo, o modelo ocupa apenas a nona posição, reflexo de limitações em autonomia e desempenho frente aos chineses.
O avanço da BYD no Brasil também se explica pela confiança do consumidor. Em pouco tempo, a marca conseguiu estabelecer uma rede de concessionárias em expansão acelerada, oferecendo atendimento técnico especializado e garantias mais amplas. Além disso, a política de pós-venda, que inclui revisões simplificadas e atualizações de software via internet, ajudou a reduzir o receio inicial com veículos de origem chinesa. A percepção de qualidade evoluiu de forma expressiva, e isso tem impacto direto na decisão de compra.
Outro fator decisivo é o momento do setor. O Brasil vive um início de transição energética que se apoia em incentivos fiscais estaduais, maior oferta de recarga pública e queda gradual no custo das baterias. Mesmo assim, o segmento de elétricos ainda é pequeno diante do total de veículos vendidos. Os números da ABVE mostram crescimento consistente, mas o preço médio ainda é o principal obstáculo para um público mais amplo.
A previsão é que o cenário mude nos próximos anos, principalmente com o avanço de montadoras como BYD, GWM e JAC, que apostam na produção local. Com fábricas em instalação no país, o impacto de impostos de importação tende a diminuir, tornando os elétricos mais competitivos. A BYD, inclusive, já anunciou planos de nacionalizar parte de sua linha, o que deve consolidar sua posição e ampliar o portfólio de modelos feitos no Brasil.
Se há alguns anos o elétrico era visto como um produto de nicho ou de luxo, hoje ele se aproxima do uso cotidiano. A presença de carros como o Dolphin Mini nas ruas e o crescimento da infraestrutura de recarga mostram que a mobilidade elétrica está se tornando realidade. O consumidor brasileiro começa a perceber que, além de limpo e tecnológico, o elétrico pode ser prático e econômico. Nesse novo mapa automotivo, a BYD segue como protagonista, redefinindo padrões e forçando as marcas tradicionais a correr atrás do prejuízo.
Fonte: CNN.


































