Marca chinesa vende mais que a Honda no Brasil; veja os números da Fenabrave
O mercado automotivo brasileiro registrou uma mudança importante em 2025. A BYD, marca chinesa que chegou com força ao país nos últimos anos, superou a Honda em vendas acumuladas até agosto, segundo a Fenabrave. Com 66.419 veículos emplacados, a empresa ocupa a sétima colocação no ranking nacional, à frente dos 65.589 carros da Honda.
Pontos Principais:
- BYD ultrapassa a Honda e assume a 7ª posição no ranking nacional.
- Estoques elevados e campanhas agressivas sustentam o crescimento chinês.
- Híbridos da BYD são até 40% mais baratos que os da Honda.
- Honda aposta em motor híbrido flex para recuperar espaço no Brasil.
O crescimento da BYD não se limita a números absolutos. A empresa superou a rival japonesa em quatro dos oito meses avaliados: abril, maio, julho e agosto. Esse desempenho reforça a velocidade com que a montadora vem conquistando espaço no Brasil, fenômeno que não se restringe ao território nacional, mas se espalha por toda a América Latina.

Parte desse avanço se explica pela estratégia de estoques. A marca chinesa trouxe grandes volumes de veículos em seus próprios navios, o que permitiu baixar preços e lançar campanhas agressivas. Esse modelo de negócios chamou a atenção da própria Anfavea, já que em julho os estoques das marcas chinesas atingiram 111 mil unidades no Brasil, nível considerado alto para o setor.
A Honda, por sua vez, enfrenta um momento de pressão. Apesar de sua longa trajetória no país e da produção nacional de modelos como o HR-V e o City em Itirapina, a marca perdeu competitividade em segmentos estratégicos. O preço mais elevado de seus modelos híbridos em comparação com os da BYD tem sido um dos principais fatores que explicam a diferença de vendas.
No segmento de híbridos, a distância entre as duas marcas é expressiva. Enquanto a BYD emplacou 31.953 veículos entre janeiro e agosto, a Honda registrou apenas 1.774 unidades. O modelo mais acessível da Honda, o Civic Advanced Hybrid, custa quase 40% a mais que o Song Pro, SUV chinês capaz de rodar até 39 km apenas no modo elétrico. Essa diferença de proposta e tecnologia ajuda a entender a mudança no comportamento do consumidor.
Embora a Honda mantenha uma imagem consolidada e conte com a produção local, seu portfólio depende fortemente de importações, como no caso de Civic, Accord, CR-V e ZR-V. Já a BYD, com fábrica em Camaçari, produz no Brasil modelos como Dolphin Mini, Song Pro e King, o que reforça sua presença estratégica. A marca também prepara a chegada de um motor híbrido flex, que deve ampliar ainda mais sua competitividade.
O cenário atual mostra um movimento estrutural no mercado automotivo nacional. A BYD ainda está distante das líderes tradicionais, como Volkswagen, Fiat e Chevrolet, mas o ritmo de crescimento sinaliza que o equilíbrio de forças pode continuar mudando. A Honda, por outro lado, terá de acelerar sua resposta, especialmente com o desenvolvimento do motor híbrido flex previsto a partir do investimento de R$ 4,2 bilhões em sua fábrica de Sumaré.


































