Carros IPI: veja quais modelos populares podem ter imposto zerado

Com critérios técnicos e ambientais, governo federal quer reativar o mercado de entrada com isenção de IPI até 2026. Elétricos, turbos e importados ficam de fora.
Publicado por em Brasil e Carros dia

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O governo federal prepara um pacote que pode mudar novamente o perfil do mercado automotivo brasileiro: a volta do carro popular. A medida faz parte de dois programas que serão anunciados em breve — o IPI Verde e o Programa Carro Sustentável — com o objetivo de estimular a indústria nacional e ampliar o acesso a veículos novos, mais eficientes e menos poluentes.

Pontos Principais:

  • Governo deve lançar o Programa Carro Sustentável nas próximas semanas.
  • Medida zera o IPI para carros nacionais 1.0 aspirados com até 90 cv.
  • Modelos como Fiat Mobi, HB20, Onix e Kwid estão entre os elegíveis.
  • Veículos elétricos, turbinados ou importados estão excluídos.
  • Objetivo principal é estimular a produção local e as vendas diretas.

O destaque fica para a possível isenção total do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos 1.0 flex aspirados, com até 90 cavalos de potência. Esses carros seriam premiados por atender critérios de eficiência energética, baixa emissão de poluentes e uso de materiais recicláveis, o que também atende a uma demanda ambiental crescente.

VW Tera 1.0 MPI 84 cv Manual
VW Tera 1.0 MPI 84 cv Manual

Mesmo com esse apelo ambiental, modelos 100% elétricos e carros turbinados não farão parte do incentivo, algo que já vem gerando questionamentos. O foco, segundo o governo, é reaquecer o segmento mais acessível do mercado, garantir estímulo à produção local e manter o ritmo da arrecadação com o aumento nas vendas.

Como funciona o Programa Carro Sustentável

O Programa Carro Sustentável vai priorizar modelos fabricados no Brasil que utilizem motores 1.0 aspirados, com até 90 cv, sem turbo, e que apresentem boas métricas de eficiência energética. O projeto pode reduzir — ou até zerar — o IPI desses veículos, o que representaria uma economia relevante.

Entre os critérios técnicos, estão limites para emissões de poluentes e exigência de uso de materiais com alto índice de reciclabilidade. A proposta, no entanto, não obriga que os preços ao consumidor final sejam reduzidos — o desconto pode acabar ficando com as montadoras ou frotistas, que concentram mais de 90% das vendas desses modelos.

Mesmo assim, a medida busca reduzir o impacto da alta dos juros e do crédito restrito sobre o setor. O objetivo é reaquecer o mercado por meio do volume de vendas e incentivar a produção local, compensando a renúncia fiscal com o crescimento da atividade.

Quais carros podem ser beneficiados

Com base nos critérios divulgados, diversos modelos populares devem ser contemplados. São veículos com motor 1.0 aspirado, sem turbo, produzidos nacionalmente e com desempenho adequado nas exigências ambientais.

  • Fiat: Mobi, Argo e Cronos
  • Volkswagen: Polo e Tera
  • Chevrolet: Onix e Onix Plus
  • Renault: Kwid
  • Peugeot: 208
  • Citroën: C3 e Basalt
  • Hyundai: HB20 e HB20S

Carros com motor turbo, modelos importados ou que ultrapassem os 90 cv de potência estão automaticamente excluídos da nova política. Também ficam de fora os modelos que não atendem às exigências mínimas de reciclabilidade e eficiência energética. A ausência de veículos elétricos, mesmo os mais baratos e isentos de emissão, chama atenção e pode ser revista em etapas futuras do programa.

Relembre o histórico de incentivos ao carro popular no Brasil

A proposta de criar um carro popular subsidiado não é nova. Em 1965, o governo já havia lançado programas de incentivo por meio da Caixa Econômica Federal, que resultaram em versões simplificadas de modelos como o DKW Pracinha e o Volkswagen Fusca Pé de Boi. Esses carros vinham sem forrações, sem tampa do porta-luvas, e exigiam que o dono fosse “completando” o carro com o tempo.

Nas décadas de 1970 e 1980, a indústria enfrentou sucessivas crises econômicas, e foi só com o presidente Fernando Collor, em 1990, que o setor voltou a ganhar fôlego com a redução de IPI para motores até 999 cm³. Isso impulsionou o Fiat Uno Mille e mais tarde permitiu a chegada de modelos como o Chevrolet Corsa.

O último grande ciclo de carros populares vigorou até meados da década de 2010, quando a elevação nos custos de produção e as exigências legais de segurança e emissões tornaram os modelos de entrada financeiramente inviáveis para as montadoras. A crise de semicondutores iniciada em 2020 agravou ainda mais a situação, afastando os consumidores do carro zero.

Como está o cenário atual e o que esperar do futuro

A volta do carro popular, desta vez, se dá em um cenário bem diferente. A ideia não é lançar carros “pelados”, mas sim estimular a venda de modelos já existentes por meio de desoneração tributária. No entanto, o governo ainda precisa definir se o benefício será repassado ao consumidor final ou apropriado por locadoras e montadoras, que dominam o mercado de entrada.

Mesmo que os carros não fiquem significativamente mais baratos para o público geral, o programa pode ampliar o volume de produção e garantir fôlego à indústria automotiva nacional. Em meio à alta de juros e crédito escasso, a aposta é que mais veículos acessíveis possam ser vendidos a frotistas e empresas.

O presidente Lula deve oficializar o pacote nos próximos dias, com validade prevista até o fim de 2026, quando um novo regime tributário deve entrar em vigor. Até lá, o impacto da medida será acompanhado de perto por montadoras, revendas e consumidores que aguardam um possível alívio no valor dos carros mais baratos do país.

Fonte: UOL e CNN.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.