A Chevrolet colocou o novo Sonic em uma posição delicada dentro da própria concessionária, entre o Onix e o Tracker, mas a versão RS custa R$ 135.990, enquanto o Tracker de entrada parte de R$ 119.990. Para justificar essa diferença, a marca aposta no desenho de SUV cupê, no pacote de segurança e em uma suspensão preparada para o asfalto ruim das cidades brasileiras.
O Sonic nasceu no Brasil sobre a estrutura usada por Onix e Tracker, mas não parece apenas uma versão levantada do hatch. A frente lembra o Equinox EV, com as luzes diurnas na parte superior e os faróis abaixo, enquanto a traseira recebeu lanternas horizontais, aerofólio e uma queda de teto que aproxima o modelo de Nivus, Fastback e Tera.
Ao volante, os 115 cv do motor 1.0 turbo não criam qualquer sensação de carro esportivo, apesar da sigla RS, porém movem os 1.139 kg sem preguiça. O torque surge cedo, o câmbio automático de seis marchas troca com suavidade e o carro responde rápido quando precisa sair de um cruzamento ou ganhar velocidade para uma ultrapassagem.
A Chevrolet declara aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de dez segundos. O consumo também ajuda o Sonic a compensar o preço, pois chega a 12,1 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada com gasolina, enquanto o etanol rende 8,4 km/l e 10,4 km/l, respectivamente.
A surpresa desagradável veio do isolamento acústico. Anacleto percebeu bastante som do asfalto em baixa velocidade e ruído de vento na estrada, especialmente na região traseira e nos retrovisores, uma falha que contrasta com o cuidado aplicado à suspensão. O coeficiente aerodinâmico de 0,35 também fica atrás dos 0,33 registrados pelo Volkswagen Tera.
Por dentro, a origem no Onix continua visível nos plásticos rígidos, nos comandos e no desenho do painel. A versão RS tenta melhorar o ambiente com teto preto, costuras vermelhas e revestimento macio diante do passageiro, mas deixa sem saídas de ar-condicionado e apoio de braço quem viaja atrás. Adultos de estatura mediana cabem sem aperto excessivo, enquanto passageiros altos ficam com os joelhos próximos ao banco dianteiro.
O porta-malas de 392 litros acomoda a bagagem de uma família pequena e ainda preserva o estepe temporário, algo cada vez menos comum entre modelos eletrificados. A tampa não tem abertura elétrica, porém o para-choque foi separado da carroceria para diminuir a área atingida em uma batida leve de estacionamento.
O Sonic RS tem seis airbags, frenagem automática de emergência, detecção de pedestres, alerta de ponto cego, assistente de permanência em faixa, farol alto automático e estacionamento semiautomático. Também traz multimídia de 11 polegadas, painel digital, carregador por indução e conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, mas não oferece ACC, câmera de 360 graus, freio eletrônico ou auto hold.
A correia dentada continua banhada a óleo, sistema que exige o lubrificante exato previsto no manual, pois um produto inadequado pode atacar o material da peça e soltar resíduos dentro do motor. Mesmo com a discussão sobre preço, acabamento e manutenção, a Chevrolet comercializou 14 mil unidades no lançamento, com as versões Premier e RS dividindo quase igualmente os compradores.