Mercedes G580 EQ fracassa globalmente e força Mercedes a rever estratégia do baby G
Lançado com grandes expectativas, o Mercedes G580 EQ surgiu como um símbolo da transição elétrica da marca alemã, oferecendo a robustez clássica do Classe G combinada à proposta de zero emissão. No entanto, a realidade do mercado impôs um choque à estratégia: as vendas do modelo ficaram muito aquém das previsões, comprometendo sua relevância comercial e colocando em xeque a linha de sucessores já em desenvolvimento.
Pontos Principais:
- Mercedes G580 EQ registra vendas muito abaixo do esperado globalmente.
- Versão elétrica do Classe G tem autonomia e desempenho criticados.
- Modelo tradicional a combustão vende sete vezes mais que o elétrico.
- Mercedes reconsidera eletrificação total do futuro “baby Classe G”.
Mesmo nos mercados com maior receptividade a carros elétricos, como Europa e China, os números decepcionaram. Até abril de 2025, apenas 1.450 unidades foram vendidas na Europa, com pífias 61 na Coreia do Sul e apenas 58 na China, um dos principais polos de veículos eletrificados. Nos Estados Unidos, que deveriam ser um dos focos de vendas, o G580 EQ ainda não havia registrado nenhuma entrega.

O fracasso do modelo elétrico se torna mais evidente quando comparado com o desempenho da versão a combustão. Mesmo com preços similares, o G-Class tradicional vendeu sete vezes mais no mesmo período, sinalizando que o consumidor de SUVs de luxo ainda não está disposto a abrir mão do motor a combustão — especialmente quando esse motor é um V8 icônico como o da Mercedes.
Além das vendas fracas, o G580 EQ enfrenta críticas técnicas e emocionais. A autonomia estimada de 385 km segundo o padrão norte-americano EPA é considerada modesta para um veículo desse porte e categoria. O peso elevado do SUV também limita sua performance, afetando diretamente a capacidade de reboque e a dirigibilidade. Esses fatores técnicos, somados à ausência do ronco característico do V8, reduziram o apelo emocional do modelo.
Diante do cenário, a Mercedes iniciou uma reavaliação interna sobre a continuidade da estratégia de eletrificação nos moldes atuais. Um dos principais impactos recai sobre o projeto do “baby Classe G”, inicialmente previsto para ser 100% elétrico. A nova direção considera versões híbridas ou mesmo a combustão, usando a flexível plataforma MMA, que permite múltiplas configurações de propulsão.
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Essa mudança de rota é significativa dentro de uma indústria que, até então, apostava de forma acelerada na eletrificação total. A experiência com o G580 EQ mostra que o caminho não será simples nem linear. A tradição, o apelo sonoro e a experiência de condução ainda são fatores cruciais para o público-alvo de SUVs de luxo, que parecem não estar prontos para abrir mão de certas características emblemáticas.
O caso do G580 EQ amplia um alerta para todas as montadoras premium: não basta eletrificar um ícone sem garantir que a alma do produto continue presente. Os resultados comerciais, a percepção do mercado e a frieza das planilhas de vendas forçaram a Mercedes a reavaliar o equilíbrio entre inovação e fidelidade à essência que construiu o prestígio da marca.
Fonte: UOL, QuatroRodas e Msn.


































