Nissan Kicks 2025: modelo antigo domina vendas e deixa modelo turbo para trás nas concessionárias
O novo Nissan Kicks chegou ao mercado com a promessa de revolucionar o segmento dos SUVs compactos. Trazendo mais espaço interno, tecnologia moderna e, pela primeira vez, um motor 1.0 turbo, o modelo parecia ter tudo para repetir — ou até superar — o sucesso da primeira geração, lançada em 2016. Três meses depois, porém, o cenário é outro: quem continua vendendo bem é o “velho” Kicks Play, que segue firme nas concessionárias.
Pontos Principais:
- Versão antiga Kicks Play responde por 65% das vendas do SUV no Brasil.
- Diferença de quase R$ 50 mil separa o modelo antigo do novo Kicks turbo.
- Motor 1.0 turbo de 125 cv tem desempenho mediano frente aos rivais.
- Faltam itens de conforto esperados para o preço, como ar traseiro e conectividade.
- Nissan aposta em manter as duas gerações para segurar volume de mercado.
Em setembro, o Kicks conquistou o posto de segundo SUV mais vendido do país, com 6.319 unidades emplacadas. À primeira vista, um ótimo resultado. Mas um olhar mais atento revela que mais de 65% desse total vieram do Kicks Play, a geração anterior mantida em linha como opção de entrada. Foram 4.164 unidades do modelo antigo, contra apenas 2.155 do novo — uma diferença que evidencia onde o público está realmente colocando o dinheiro.

A estratégia da Nissan não é inédita. Marcas como Hyundai e Chevrolet já apostaram em manter versões antigas de Creta e Onix para atender faixas diferentes do mercado. A lógica é simples: enquanto o novo atrai pela modernidade, o antigo sustenta o volume de vendas com preço mais acessível. O problema, no caso do Kicks, é que o consumidor parece preferir o antigo não apenas pelo valor, mas também pela percepção de custo-benefício.
O Nissan Kicks Play parte de R$ 117.990, com motor 1.6 aspirado e câmbio CVT. Já o novo Kicks começa em R$ 166.990 — quase R$ 50 mil a mais. Mesmo com descontos promocionais que podem reduzir o preço para R$ 145.990 e bônus de até R$ 20 mil na troca do usado, a diferença continua grande. Para quem busca um SUV urbano eficiente, o número pesa. O mercado brasileiro, sensível ao preço e ao crédito restrito, mostra claramente essa reação.

Não há dúvidas de que o novo Kicks é um carro melhor. Ele traz uma nova plataforma, porta-malas de 470 litros, acabamento mais refinado, central multimídia moderna e até sistema de som Bose nas versões topo de linha. O pacote é atraente, mas a sensação de avanço técnico se mistura com algumas ausências incômodas. O motor 1.0 turbo de 125 cv, o mesmo usado no Renault Kardian, entrega desempenho apenas mediano diante de rivais como HR-V Touring e Creta Ultimate, que passam facilmente dos 170 cv.
Além disso, faltam itens esperados para um carro dessa faixa de preço, como saídas de ar traseiras, ajuste elétrico de banco e conectividade remota via aplicativo — presentes até em modelos mais baratos. O consumidor que sobe de faixa espera receber mais, não menos. E essa lacuna, ainda que discreta, influencia fortemente a percepção de valor.
A Nissan afirma que o novo Kicks está em fase de “ramp up”, ou seja, aumento gradual da produção, o que limita as entregas. A marca reforça que os dois modelos se complementam, cada um mirando um público diferente. Na prática, porém, o mercado parece enviar outro recado: os compradores estão hesitando em pagar caro por um carro que, embora evoluído, não entrega a performance ou os recursos esperados por quem investe perto de R$ 200 mil.
Para especialistas, o problema é basicamente de posicionamento. “O novo chegou como um bom produto, mas acima do que o mercado estava disposto a pagar”, analisa o consultor automotivo Milad Kalume. A Nissan, ao mirar um público mais premium, pode estar se distanciando justamente do consumidor que garantiu o sucesso da primeira geração: aquele que procura um SUV urbano, confiável e com custo-benefício real.
Fonte: Uol e Mundodoautomovelparapcd.


































