A Renault escolheu seguir na contramão de concorrentes ao declarar que não pretende ampliar sua gama de veículos híbridos plug-in (PHEV), focando exclusivamente em híbridos plenos (HEV) e elétricos. A decisão se apoia em dados concretos de vendas e desempenho do mercado europeu, onde a marca ultrapassou a Toyota e assumiu a vice-liderança no primeiro semestre de 2025. O único modelo PHEV oferecido pela montadora na Europa, o SUV Rafale, não terá sucessores com essa motorização.
Os números da ACEA reforçam o posicionamento da Renault: enquanto os HEVs responderam por 34,8% das vendas no continente, os PHEVs ficaram com apenas 8,4%, atrás até mesmo dos carros a diesel. A avaliação da montadora é de que o consumidor europeu busca um meio-termo funcional entre combustão e eletrificação, sem as complexidades do carregamento externo. O HEV, nesse contexto, cumpre bem esse papel ao entregar eficiência com simplicidade.
Ivan Segal, diretor global de vendas da Renault, deixou claro que a estratégia dual será mantida globalmente. Para a empresa, híbridos plenos atendem clientes que abandonam o diesel, mas não estão prontos para migrar direto para o elétrico. Já os elétricos puros ganham força com produtos como o Renault 5 E-Tech, que impulsionou a participação dos elétricos para 16% do total de vendas da empresa em 2025, com crescimento de 57% em relação ao ano anterior.
Essa visão de longo prazo impacta diretamente o Brasil, onde a Renault ainda não comercializa nenhum veículo híbrido. Isso começará a mudar com o SUV Boreal e a futura picape Niagara, previstos para 2026. Ambos adotarão o sistema MHEV, híbrido-leve, desenvolvido pela Valeo. O diferencial desse sistema é o uso de um motor elétrico de 48V no eixo traseiro, que não apenas reduz o consumo de combustível como também devolve à marca a oferta de tração 4×4, eliminando o uso do cardã tradicional.
A chegada desses modelos marca a introdução da eletrificação gradual da Renault no Brasil, de maneira pragmática e com soluções de custo otimizado. O foco é oferecer ganhos reais de eficiência e experiência de condução sem depender de infraestrutura de recarga, o que se mostra mais viável para o cenário atual do país. Além disso, a configuração eletrificada promete reforçar a presença da marca em segmentos como SUVs médios e picapes urbanas.
Essa mudança reflete uma lógica clara: menos complexidade técnica, menos custo para o consumidor e mais viabilidade de manutenção. O sistema MHEV permitirá uma redução considerável de consumo, enquanto oferece uma experiência de tração integral nos momentos necessários. A adoção da tecnologia nos dois novos modelos revela o direcionamento estratégico para o mercado latino-americano, especialmente o brasileiro, onde o consumidor valoriza robustez, economia e inovação palpável.
A Renault se apoia em uma base sólida de dados, desempenho comprovado e planejamento estruturado para aplicar sua visão de futuro, tanto na Europa quanto em mercados emergentes. A ausência dos PHEVs não é sinal de ausência de tecnologia, mas de foco em soluções mais aceitas e escaláveis no curto e médio prazo. Com isso, a marca se posiciona como uma das mais consistentes no caminho da eletrificação inteligente.
Fonte: UOL, Renault e QuatroRodas.