A Toyota vive seu momento mais delicado no Brasil em décadas. Uma tempestade com ventos intensos destruiu cerca de 90% da fábrica de motores em Porto Feliz, interior de São Paulo, deixando 30 funcionários feridos e obrigando a empresa a paralisar todas as operações de montagem no país. Embora os trabalhadores tenham recebido alta, os efeitos industriais se prolongam por tempo indeterminado.
A planta de Porto Feliz era peça-chave na estratégia da montadora. Ali eram produzidos os motores 2.0 aspirados que equipam o Corolla e o Corolla Cross, além do 1.5 aspirado usado no Yaris. O impacto atinge diretamente a linha de produtos mais relevante da Toyota no Brasil, incluindo o lançamento do inédito Yaris Cross, que tinha estreia prevista para outubro, agora oficialmente adiado.
Em Indaiatuba, onde o Corolla sedã era montado, a produção foi suspensa e só deve ser retomada em Sorocaba, no máximo até 2026. A unidade de Sorocaba, por sua vez, já estava sobrecarregada com a fabricação de versões do Corolla Cross e dos últimos lotes do Yaris, ainda exportados para países da América Latina, mesmo fora de linha no mercado nacional.
A montadora divulgou um comunicado confirmando que não há previsão de retorno da fábrica de Porto Feliz. Segundo a análise inicial, a reconstrução da unidade levará meses, e a solução emergencial passa pela importação de motores de outras filiais internacionais. Essa estratégia, entretanto, envolve desafios logísticos e custos adicionais que podem alterar a competitividade da marca no curto prazo.
O diretor de RH da Toyota, Celso Simomura, reconheceu em nota que os danos atingiram a parte estrutural do complexo industrial e exigem um levantamento detalhado antes da definição dos próximos passos. A prioridade, afirmou, é garantir segurança e manter diálogo aberto com os sindicatos.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região estima que cerca de 7 mil trabalhadores das três fábricas da Toyota estejam impactados pela paralisação. A entidade assegura que não haverá demissões e negocia alternativas como férias coletivas, lay-off e suspensão temporária de contratos para preservar renda e estabilidade. O lay-off, previsto na legislação trabalhista, permite reduzir jornada e salários ou suspender temporariamente o vínculo sem que haja desligamento.
A paralisação atinge em cheio o planejamento da Toyota, que vinha apostando no Yaris Cross como modelo de entrada no segmento de SUVs compactos, disputado por rivais de Hyundai, VW e Jeep. O modelo herdaria componentes do Corolla Cross, mas com preço mais acessível, servindo de ponte para fidelizar novos clientes. O atraso, somado à interrupção da linha Corolla, cria um vácuo estratégico em um dos mercados mais competitivos da indústria automotiva.
Fonte: Mobiauto.