Chevrolet Tracker 2026 Premier busca sofisticação, mas preço alto desafia seu equilíbrio
O Chevrolet Tracker Premier 2026 chega em um momento de forte competição entre os SUVs compactos no Brasil, tentando reafirmar sua posição com uma reestilização marcada por mudanças visuais e tecnológicas. A dianteira adota a linguagem global da marca, já vista em Montana e Spin, com grade cromada e faróis full-LED divididos em dois níveis. O resultado é uma assinatura luminosa mais marcante, embora as laterais e a traseira tenham recebido apenas ajustes discretos, como novas lanternas e rodas redesenhadas de 17 polegadas.
Pontos Principais:
- Visual atualizado com grade cromada e faróis full-LED em dois níveis.
- Interior modernizado com painel digital de 8” e central multimídia de 11”.
- Espaço interno limitado, porta-malas de 393 litros e sem saída de ar traseira.
- Motor 1.2 turbo de 141 cv agrada, mas consumo caiu em relação às versões anteriores.
- Lista de conforto ampla, mas pacote de segurança inferior ao de rivais diretos.
- Preço de quase R$ 190 mil coloca o SUV em desvantagem frente a concorrentes.
No interior, a transformação é mais evidente. O painel de instrumentos digital de 8 polegadas e a central multimídia de 11 polegadas se destacam, oferecendo boa resolução e usabilidade aprimorada, com comandos voltados para o motorista. A integração das telas deixou a cabine mais moderna e, durante os testes, o sistema multimídia funcionou sem falhas. Apesar do salto em conectividade, a qualidade dos materiais continua simples para a faixa de preço, com predomínio de plásticos rígidos e apenas alguns detalhes em vinil, ficando atrás de concorrentes como Honda HR-V e Hyundai Creta.
Em termos de espaço, o Tracker 2026 mantém limitações conhecidas. O entre-eixos de 2,57 metros restringe o conforto no banco traseiro, especialmente para adultos mais altos. O porta-malas de 393 litros também não acompanha a média da categoria, perdendo para rivais diretos. Além disso, a ausência de saídas de ar-condicionado para os ocupantes traseiros permanece como um ponto negativo, principalmente em um veículo que ultrapassa os R$ 189 mil.
O desempenho, por outro lado, é um dos pontos fortes do modelo. O motor 1.2 turbo flex de três cilindros com 141 cv e torque de 22,9 kgfm proporciona agilidade adequada para o peso do veículo. O câmbio automático de seis marchas apresenta funcionamento suave e mantém o regime de rotações em níveis confortáveis. Na prática, o Tracker oferece uma condução agradável, embora o consumo de combustível tenha apresentado queda. Dados do Inmetro registram 11 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina, mas em avaliação prática o consumo ficou abaixo, possivelmente pelo motor ainda em amaciamento.
Outro ponto sensível é a correia dentada banhada a óleo. A Chevrolet reforça que a peça passou por melhorias químicas e agora conta com garantia de cinco anos, tentando afastar os receios herdados do Onix. Mesmo assim, parte dos consumidores segue cautelosa, já que a durabilidade depende da manutenção dentro das especificações. Esse aspecto continua sendo motivo de discussão entre potenciais compradores.
Na lista de equipamentos, o Tracker Premier oferece teto solar panorâmico, bancos revestidos em material sintético, ar-condicionado digital de zona única, carregador de celular por indução com resfriamento, volante multifuncional e conectividade via Wi-Fi nativo. Apesar da boa oferta de conforto, a segurança não acompanha a evolução dos rivais. O modelo traz apenas frenagem autônoma de emergência e alerta de ponto cego, mas deixa de fora recursos como controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa, já comuns em concorrentes até mais acessíveis.
Com preço oficial de R$ 189.590, o Tracker Premier enfrenta um dilema estratégico. Jeep Compass Sport e Longitude oferecem motores mais fortes e melhor acabamento por valores próximos ou até inferiores. Hyundai Creta Ultimate e Volkswagen T-Cross Extreme apostam em pacotes de equipamentos mais robustos, incluindo sistemas avançados de condução. Dessa forma, o SUV da Chevrolet acaba em uma posição desconfortável: tem qualidades no design e no desempenho, mas não entrega o equilíbrio esperado entre custo e benefício, tornando-se uma escolha restrita a consumidores fiéis ao ecossistema da marca.
Fonte: Webmotors, Chevrolet e GM.


































