Geely EX2 e BYD Dolphin Mini travam a disputa mais quente dos elétricos de entrada. A faixa dos 120 mil reúne propostas tão diferentes que a escolha impacta o bolso e a rotina de quem dirige todos os dias.
Um oferece porte de hatch tradicional, desempenho cheio e recarga rápida. O outro entrega tecnologia completa, ergonomia inteligente e uma rede de lojas que cobre praticamente o país inteiro.
O Geely EX2 leva vantagem onde o motorista sente na prática. Os 116 cv e 15,3 mkgf geram respostas rápidas em trânsito intenso, algo que o Dolphin Mini não iguala com seus 75 cv e 13,8 mkgf. A diferença na relação peso potência deixa o EX2 mais confortável em retomadas e ladeiras.
A tração traseira do EX2 muda o equilíbrio nas curvas curtas e transmite mais naturalidade quando o carro sobe com carga. É um detalhe sutil, mas perceptível para quem exige precisão no volante.
A autonomia dos dois é próxima, mas o EX2 abre vantagem. São 289 km no ciclo PBEV contra 280 km do Dolphin Mini. O impacto real está na recarga. Os 70 kW do Geely reduzem o tempo parado quase pela metade em relação aos 40 kW do BYD.
O EX2 se aproxima do porte de Argo e Polo, com entre eixos de 2,65 m e porta malas de 375 litros. Quem viaja com família ou carrega bagagem sente essa diferença logo na primeira semana. Já o Dolphin Mini compensa com interior mais tecnológico, ajustes elétricos e multimídia giratória com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
As suspensões independentes nas quatro rodas do EX2 elevam o nível de filtragem em vias esburacadas. Para o segmento de entrada dos elétricos, esse é um diferencial extremamente raro.
BYD Dolphin Mini e Geely EX2 entregam pacotes completos, mas apostam em prioridades distintas. O EX2 oferece ar traseiro, instrumentação ampla e baú sob o banco traseiro. O Dolphin Mini avança com carregamento sem fio, internet embarcada, banco do motorista elétrico e integração total de smartphones.
A rede pesa. A BYD opera 200 concessionárias no Brasil, enquanto a Geely deve fechar o ano com 23. Para quem depende de manutenção perto de casa, essa diferença é decisiva.
A entrada do Geely EX2 cria uma ameaça real ao espaço que a BYD construiu com o Dolphin Mini. A troca de prioridades, antes focada só em preço, começa a migrar para desempenho, porte e qualidade de recarga. Quanto maior a pressão, maior o avanço para o consumidor, que agora encontra disputa verdadeira no segmento.
O futuro dos elétricos acessíveis acaba de ficar mais interessante.