Fiat Uno Grazie Mille 2013: Tabela FIPE, Ficha técnica, fotos e tudo mais sobre a edição especial de despedida que marcou o fim do Uno quadrado
O Fiat Uno Mille já tinha virado lenda urbana antes de a Fiat decidir enterrá-lo de vez. Em 2013, a marca italiana puxou o freio de mão e lançou a edição de despedida chamada Grazie Mille, uma espécie de obituário sobre rodas para um carro que dominou as ruas brasileiras por quase três décadas. Limitada a 2.000 unidades, a série especial foi uma forma de dizer “obrigado” ao compacto que praticamente alfabetizou o país em direção, mecânica simples e parcelamento de 48 vezes sem juros.
Pontos Principais:
- Ficha Técnica do Fiat Uno Grazie Mille 1.0 2013
- Edição especial Grazie Mille lançada em 2013 marcou o fim do Uno Mille.
- Produção limitada a 2.000 unidades com cores e acabamentos exclusivos.
- Equipado com motor 1.0 Fire de até 66 cv, manteve a essência simples.
- Valor de lançamento em torno de R$ 31 mil, hoje pode chegar a R$ 60 mil.
O batismo em italiano não foi gratuito: “grazie mille” significa “muito obrigado”, e a Fiat usou isso como uma espécie de discurso emocionado no enterro do Uno velho. O motivo do adeus era bem menos poético. A lei que entrou em vigor em 2014 exigia airbags duplos e freios ABS em todos os carros novos — itens que o projeto quadradão do Mille, nascido em 1984, simplesmente não suportava sem virar um Frankenstein automotivo.

Para deixar a despedida menos melancólica, a Fiat encheu o carrinho de detalhes exclusivos. Teve cor inédita batizada de Verde Saquarema, rodas escuras, ponteira cromada e adesivos laterais com a assinatura Grazie Mille. Por dentro, bancos bordados, plaquinha numerada no painel e até conta-giros no lugar do economêtro — aquele medidor de miséria de combustível que assombrou gerações. O resultado foi um Mille que, pela primeira vez, parecia vestido para ir a uma festa em vez de para o batente.

Na parte mecânica, nada de surpresas: seguia o motor 1.0 Fire flex de até 66 cavalos no etanol, aquele que nunca fez o Mille correr como um GTI, mas sempre entregou baixo consumo e manutenção barata. Era o mesmo motor que ajudou o carro a ser apelidado de “trabalhador brasileiro em quatro rodas”: pouco glamoroso, mas incansável. A versão especial chegava a 153 km/h — número mais simbólico do que real, já que a maioria dos donos usava o carrinho para cruzar a cidade com sacolas de mercado e crianças no banco traseiro.

O preço de lançamento girava em torno de R$ 31 mil, o que o colocava na prateleira de entrada de qualquer concessionária. Hoje, ironicamente, o Grazie Mille virou objeto de colecionador: exemplares bem cuidados passam fácil dos R$ 50 mil, chegando perto de R$ 60 mil. Para efeito de comparação, um Mille comum da mesma época não passa de R$ 20 mil na tabela. Ou seja, o “último dos moicanos” entrou na estranha categoria de carro popular que virou artigo de luxo.

O Uno Grazie Mille não foi apenas um carro. Foi um ato de encerramento de ciclo. Representou o fim de uma era em que o brasileiro aprendia a dirigir num carrinho quadrado, sem ar, sem direção hidráulica, sem nada. A série especial foi meio kitsch, meio tributo, meio tentativa de vender as últimas unidades com gosto de nostalgia. Mas deu certo: o Mille saiu de cena com status de ícone cultural, uma espécie de Fusca dos anos 2000. E quem tem um Grazie Mille na garagem hoje pode se gabar de estacionar não apenas um carro, mas um pedaço da história urbana do Brasil.

Fonte: Stellantis e FIPE.


































