Jeep Compass, Commander, Renegade e Fiat Toro vão ser híbridos em 2026 com sistema Bio-Hybrid leve de 48V

Stellantis lançará em 2026 versões híbridas de 48V de Renegade, Compass, Commander e Toro, usando motor T270 e câmbio e-DCT 7HDT300, produzidos em Goiana, com impacto direto em consumo e eficiência.
Publicado por em Jeep dia

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A Stellantis resolveu eletrocutar a própria rotina em Goiana, Pernambuco, e transformar Renegade, Compass, Commander e Fiat Toro em híbridos leves. Nada de tomada, nada de silêncio celestial, só a boa e velha força mecânica com uma ajudinha elétrica que parece pequena, mas muda completamente o jeito como esses carros se comportam no uso diário.

A Stellantis inicia em 2026 a produção nacional das versões híbridas 48V de Renegade, Compass, Commander e Toro, marcando a maior atualização mecânica desses modelos.
A Stellantis inicia em 2026 a produção nacional das versões híbridas 48V de Renegade, Compass, Commander e Toro, marcando a maior atualização mecânica desses modelos.

O segredo está no sistema híbrido leve de 48V Bio-Hybrid e-DCT combinado ao motor 1.3 T270 turbo flex, como revelado pela Stellantis, que agora ganha um motor-gerador de 20 cv escondido dentro do câmbio. Não é para arrancadas cinematográficas, é para eficiência real. Para quem vive no anda e para, esse assistente elétrico suaviza saídas, move o carro sozinho em baixas velocidades e ainda poupa combustível sem dar sermão ambiental.

Esse truque só funciona porque o câmbio mudou. Entra em cena o câmbio 7HDT300 de dupla embreagem com sete marchas desenvolvido pela Magna, bem mais esperto que o antigo automático de seis marchas. Ele encaixa marchas com precisão, conversa melhor com o motor elétrico e transforma todo o conjunto em algo mais afiado, menos dependente de rotações altas e mais disposto a economizar gasolina sem tirar o prazer ao volante.

A bateria, minúscula no papel, tem papel grande na prática. O sistema usa uma bateria de 1 kWh recarregada nas desacelerações e frenagens, o que significa que você dirige como sempre dirigiu, e o carro faz o resto. Nada de cabos, nada de aplicativos, nada de adaptações. É o tipo de eletrificação que funciona porque não exige que o motorista mude absolutamente nada.

E, claro, há engenharia escondida onde o motorista nunca vai olhar. A transmissão tem seu próprio circuito de óleo, que cuida das embreagens e do motor elétrico com um sistema de arrefecimento independente acionado sob demanda. Isso é essencial em SUVs e picapes que enfrentam buracos, calor e trânsito, tudo no mesmo dia.

A fábrica de Goiana hoje entrega cinco modelos, mas só quatro receberão o sistema híbrido. A Ram Rampage ficou de fora porque seus motores 2.2 turbodiesel e 2.0 a gasolina não têm versões eletrificadas em nenhum lugar do mundo. Já Renegade, Compass, Commander e Toro, todos movidos pelo 1.3 T270, são candidatos perfeitos para essa nova fase.

O Renegade ainda passa por uma renovação visual. Ele ganha grade redesenhada, novos para-choques e rodas inéditas. Não é apenas maquiagem, é uma forma de mantê-lo vivo enquanto a Jeep prepara sua nova geração e reposiciona o SUV. Com o Avenger produzido em Porto Real assumindo o papel de modelo de entrada, o Renegade sobe um degrau e depende desse conjunto híbrido leve de 48V com câmbio 7HDT300 e motor 1.3 T270 turbo flex para justificar seu novo lugar na fila.

Compass, Commander e Fiat Toro já foram renovados recentemente, então ficam sem grandes mudanças visuais. A novidade está toda na mecânica, que deve melhorar consumo, resposta e eficiência em trechos urbanos. É o tipo de atualização que não aparece nas fotos, mas muda o caráter do carro.

No pano de fundo, há um investimento de R$ 13 bilhões programado até 2030, que inclui nacionalização de componentes e a montagem local do Leapmotor C10, o SUV elétrico da marca chinesa parceira da Stellantis. Ou seja, Goiana vira palco de duas frentes: híbridos para baixar consumo e elétricos para quem já quer dar o salto.

No fim, tudo se resume a isso: enquanto os fabricantes correm para provar quem entende melhor a eletrificação, a Stellantis aposta em algo simples e eficiente. Um sistema que corta combustível sem reinventar o ato de dirigir. E, para muitos motoristas brasileiros, essa mistura de tecnologia discreta e robustez mecânica é exatamente o tipo de solução que faz sentido no mundo real.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.