Ter uma moto elétrica pode parecer o futuro estacionado na sua garagem — e, em muitos aspectos, é mesmo. Silenciosa, econômica, livre de emissões e ainda te livra da ida constante ao posto de combustível. É quase como pilotar um celular gigante com rodas, mas que te leva pro trabalho. A primeira acelerada sem barulho é estranha, mas logo vira vício.
Pontos Principais:
Por outro lado, nem tudo é tão simples quanto apertar o botão “ligar”. A autonomia ainda pode ser um desafio para quem precisa rodar muito, especialmente fora dos grandes centros. Postos de recarga não estão em toda esquina e, dependendo do modelo, o tempo de recarga pode ser mais longo do que um café demorado. Se esquecer de carregar à noite, o dia seguinte pode começar com um empurrão.
Além disso, o preço de entrada ainda é mais salgado do que o de modelos a combustão similares. Embora compense com o tempo, a compra inicial exige planejamento. E a manutenção, apesar de simples, ainda depende de oficinas especializadas, o que nem sempre se encontra fácil. Em resumo: é como trocar o carro por uma bike elétrica — é moderno, prático, mas exige adaptação e paciência.
No primeiro trimestre de 2025, o número de motocicletas elétricas emplacadas no Brasil cresceu significativamente em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 3.452 unidades licenciadas segundo a Fenabrave. O volume representa uma alta de 104,74% na comparação com os três primeiros meses de 2024, quando foram vendidas 1.686 motos elétricas.
A Fenabrave divulgou os dados consolidados de licenciamentos de motocicletas elétricas referentes ao primeiro trimestre de 2025. O número de 3.452 unidades representa o dobro do total de 2024 no mesmo período. Apesar da queda de 10,34% nas vendas em março em comparação com fevereiro, o desempenho mensal ainda foi 54,59% superior ao registrado em março do ano anterior.
Entre os fatores que contribuíram para esse crescimento estão a elevação dos preços dos combustíveis fósseis, a busca por opções de transporte com menor custo de operação e o aumento da preocupação ambiental entre consumidores. Além disso, a entrada de grandes fabricantes tradicionais no segmento tem contribuído para a maior aceitação das motos elétricas no país.
A presença de marcas como Yamaha, com modelos como a Neo’s (elétrica) e a Fluo Hybrid (híbrida), aumentou a visibilidade do segmento. A confiança do consumidor tende a crescer com a entrada de nomes reconhecidos, o que também estimula novos investimentos e o lançamento de modelos com diferentes faixas de preço e tecnologia.
A liderança de mercado no período ficou com a VMoto, que emplacou 1.984 unidades. Na sequência aparecem GCX (311), Shineray (171), Shansu (154) e Watts (153). A concentração das vendas em poucas marcas mostra que ainda há espaço para a entrada de novos concorrentes, o que pode contribuir para maior diversidade de modelos e queda de preços nos próximos anos.
A infraestrutura para recarga de baterias, ainda em desenvolvimento, segue como um dos principais desafios. No entanto, a ampliação da malha de pontos de recarga, somada a políticas públicas de incentivo, pode acelerar a adoção em diferentes regiões. A redução do custo de fabricação e possíveis isenções fiscais são apontadas como caminhos para popularizar as motos elétricas no Brasil.
Fonte: Fenabrave.