A Honda recoloca a XL750 Transalp no centro da estratégia brasileira ao lançar o modelo por R$ 65.545, mirando um segmento que não tolera incoerências técnicas nem força comercial sem substância.
A base do projeto é o motor bicilíndrico paralelo de 755 cm³. Ele entrega 69,3 cv e 7,04 kgfm com o apoio do virabrequim de 270 graus, recurso que aproxima a pulsação do conjunto da experiência de um V2 tradicional. A eletrônica embarcada adiciona modos de pilotagem Sport, Standard, Rain e Gravel, além de dois perfis User configuráveis. Tudo gerenciado pelo acelerador eletrônico, com embreagem assistida e deslizante para manter estabilidade em retomadas e frenagens mais críticas.
O motor como eixo da estratégia técnica
A nova Honda XL750 Transalp chega ao Brasil retomando um nome clássico e trazendo motor bicilíndrico de 755 cm³ com virabrequim de 270 graus e 69,3 cv.
A calibragem nacional, diferente da usada na Europa, reforça um objetivo direto: entregar potência suficiente para uso misto sem comprometer normas locais. A entrega de torque alinhada às rotações médias revela uma proposta pragmática. Não é um modelo voltado ao extremo, mas à consistência no trânsito, na estrada e no uso em terra leve.
A ciclística que define comportamento em vários cenários
O chassi Diamond de aço sustenta o conjunto com rigidez equilibrada. A suspensão dianteira Showa SFF CA, com 200 mm de curso, e o Pro Link traseiro, com 190 mm, permitem lidar com irregularidades frequentes sem perder previsibilidade. As rodas raiadas de 21 e 18 polegadas confirmam a intenção de atuar em terrenos híbridos. O sistema de freios adota dois discos de 310 mm na dianteira e um disco traseiro de 256 mm, complementados pelo ESS, que aciona alerta visual em desacelerações bruscas acima de 56 km por hora.
O design que resgata os anos 1990 e reforça função
O pacote eletrônico inclui modos Sport, Standard, Rain e Gravel, além de dois modos User, todos gerenciados por acelerador eletrônico.
O conjunto frontal revisita elementos clássicos da linha Transalp. A carenagem alta e o farol em LED formam um visual que dialoga com modelos anteriores, enquanto o para brisa em Durabio entrega rigidez e transparência superiores em viagens longas. O painel TFT de 5 polegadas organiza as informações sem ruídos, mantendo leitura clara tanto no asfalto quanto na terra.
A disputa real com a Ténéré 700 e o efeito imediato no mercado
A entrada da nova Transalp reorganiza a disputa com a Yamaha Ténéré 700. A Honda aposta em eletrônica ampla e maior variedade de ajustes. A rival reforça tradição, robustez e histórico de manutenção conhecido. Essa dualidade define a decisão do consumidor em 2026: complexidade ajustável ou simplicidade construída ao longo de anos de reputação.
Como o retorno da Transalp redefine prioridades na média cilindrada
Os freios trazem dois discos de 310 mm na dianteira e disco traseiro de 256 mm com ESS, que aciona alerta visual em frenagens bruscas.
O lançamento da XL750 Transalp pressiona concorrentes ao unir tradição do nome, eletrônica atual e preço calculado. A estratégia é clara: ocupar uma posição que havia ficado aberta e reordenar a dinâmica da categoria. A moto chega como um ajuste de contas da Honda com um segmento que evoluiu rápido demais nos últimos anos, e agora cobra respostas diretas.
Ficha técnica Honda XL750 Transalp
Motor
- Tipo: bicilíndrico paralelo
- Cilindrada: 755 cc
- Tecnologia: Unicam, 8 válvulas
- Diâmetro x curso: 87 mm x 63,5 mm
- Taxa de compressão: 11,0:1
- Potência máxima: 69,3 cv a 7.000 rpm
- Torque máximo: 7,04 kgf.m a 7.000 rpm
- Comando de válvulas: admissão 35,5 mm elevação 9,3 mm, escape 29 mm elevação 8,2 mm, acionamento por balancim
- Virabrequim com defasagem de 270°
- Alimentação: injeção eletrônica, TBW
- Admissão: Vortex Flow Ducts, corpos Ø 46 mm
- Arrefecimento: líquido, bomba no cárter esquerdo, sem radiador de óleo
- Revestimento dos cilindros: Ni-SiC
- Escape: tipo esportivo com pulsação característica
- Consumo/autonomia: tanque 16,6 litros
Transmissão
- Câmbio manual
- Embreagem assistida e deslizante
- Tração dianteira por corrente
Modos de pilotagem
- Sport: potência 4, HSTC 1, freio-motor 1, ABS On-Road
- Standard: potência 3, freio-motor 2, HSTC 3, ABS On-Road
- Rain: potência 1, freio-motor 2, HSTC 5, ABS On-Road
- Gravel: potência 2, freio-motor 3, HSTC 4, ABS Off-Road
- User 1 e User 2: totalmente configuráveis, permite desligar ABS traseiro
Chassi e ciclística
- Quadro diamond em aço
- Peso estrutural: 18,3 kg
- Subchassi: integrado, tubos de aço de alta tensão
- Inclinação: 27°
- Trail: 111 mm
- Distância entre eixos: 1.561 mm
- Altura do assento: 855 mm
- Peso a seco: 193 kg
- Distância do solo: 212 mm
Suspensão
- Dianteira: Showa SFF-CA, USD Ø 43 mm, curso 200 mm, ajuste de pré-carga
- Traseira: Pro-Link, monoamortecedor Showa com reservatório, curso 190 mm, ajuste de pré-carga
Freios
- Dianteiro: duplo disco wave Ø 310 mm, pinças de dois pistões
- Traseiro: disco Ø 256 mm, pinça de um pistão
Rodas e pneus
- Rodas raiadas com aros de alumínio
- Pneus on-off, tube-type
- Dianteiro: 90/90-21”
- Traseiro: 150/70-18”
Eletrônica e segurança
- TBW
- HSTC
- ABS On-Road e Off-Road
- ESS com atuação acima de 56 km/h e desaceleração ≥ 6,0 m/s²
- Com ABS acionado: atuação a partir de 2,5 m/s²
- Piscas com cancelamento automático
- Arquitetura CAN + BCU
Painel e comandos
- Painel TFT 5 polegadas
- Três padrões de exibição
- Comando retroiluminado no punho esquerdo
- Gerenciamento dos modos pelo painel
Ergonomia e conforto
- Assento em dois níveis
- Posição ereta
- Bagageiro traseiro
- Entrada USB sob o assento
- Para-brisa Durabio com duto central
- Carenagem aerodinâmica focada em estabilidade
Acessórios originais
- Top box 50 L
- Malas laterais 26 L direita, 33 L esquerda
- Cavalete central
- Protetor de motor
- Protetor de manoplas
- Para-brisa alto
- Faróis de neblina
- Pedaleira rally
- Vestuário Alpinestars
Preço, cores e garantia
- Preço sugerido SP: R$ 65.545
- Cores: branco perolizado e preto metálico
- Garantia: 3 anos sem limite de quilometragem
- Honda Assistance: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Uruguai
- 1ª revisão: 1.000 km ou 6 meses
- Revisões seguintes: 6.000 km ou 6 meses
Fonte: iG Carros, Motor1 e Estadão Mobilidade.
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado, com foco em durabilidade e custo-benefício.