Brasil enfrenta pressão dos EUA por terras raras em meio a tarifaço e disputa global

EUA testam reação do Brasil ao sondar acesso às terras raras nacionais sem proposta formal. Governo Lula prepara política para defender minérios estratégicos e evitar barganhas unilaterais.
Publicado por em Brasil dia

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O suposto interesse dos Estados Unidos pelas reservas brasileiras de terras raras provocou movimentação intensa nos bastidores diplomáticos. A abordagem partiu de Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada americana no Brasil, em reunião com representantes do setor de mineração. Apesar de não ser um embaixador oficialmente nomeado, Escobar sinalizou que os EUA observam com atenção os recursos minerais estratégicos brasileiros, sobretudo em meio à escalada do tarifaço imposto por Donald Trump. A leitura do Itamaraty foi imediata: tratava-se de um teste informal, não de uma proposta real.

Pontos Principais:

  • EUA sondam acesso às terras raras do Brasil em meio ao tarifaço de Trump.
  • Itamaraty vê movimentação como informal e sem proposta oficial.
  • Governo Lula prepara política para proteção dos minerais estratégicos.
  • Senadores dos EUA criticam Trump e alertam para riscos geopolíticos.

A reunião não envolveu o governo federal diretamente, o que reforçou a interpretação de que os americanos estão apenas sondando a possibilidade de iniciar negociações sobre acesso a esses recursos. Diplomatas avaliaram o episódio como uma tentativa de medir até onde o Brasil estaria disposto a abrir mão do controle sobre seus ativos estratégicos, especialmente diante de uma crise comercial. A resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi direta: “ninguém põe a mão” nos minerais brasileiros — um recado claro à Casa Branca e ao mercado internacional.

O encarregado de negócios dos EUA se reuniu com o setor de mineração para sondar o interesse americano nas terras raras do Brasil, sem passar pelo governo federal - Foto: Dominik Vanyi/Unplash
O encarregado de negócios dos EUA se reuniu com o setor de mineração para sondar o interesse americano nas terras raras do Brasil, sem passar pelo governo federal – Foto: Dominik Vanyi/Unplash

Esse movimento acontece no momento em que o Brasil se posiciona como protagonista na nova geopolítica dos minérios críticos. Com a segunda maior reserva mundial de terras raras, o país tem papel crucial na transição energética e no abastecimento de tecnologias de ponta, como baterias e turbinas eólicas. O governo Lula já vinha desenhando uma política nacional voltada a esses recursos, mas diante do cenário internacional, decidiu acelerar sua formulação e lançamento ainda neste ano. O plano inclui o mapeamento geológico, estímulo à inovação, parcerias federativas e atração de investimentos com salvaguardas.

Nos bastidores, interlocutores do Ministério das Relações Exteriores destacam que a conversa com Escobar, por mais simbólica que tenha sido, não é suficiente para desencadear qualquer processo formal. Além disso, o Brasil deseja discutir uma extensa lista de pendências comerciais com os EUA antes de colocar terras raras na mesa de negociação. Segundo diplomatas, há mais de 700 pontos de atrito pendentes e que têm impacto direto sobre a economia brasileira. Assim, a prioridade do Itamaraty segue sendo institucionalizar o diálogo e evitar acordos informais motivados por pressões conjunturais.

Enquanto isso, parlamentares americanos da oposição acusam Trump de abuso de poder por usar tarifas comerciais como instrumento de favorecimento político. Uma carta assinada por 11 senadores democratas alerta que o tarifaço pode aproximar ainda mais o Brasil da China, principal rival geopolítico dos Estados Unidos no acesso a matérias-primas essenciais. A crítica foi interpretada como um sinal de fissura dentro do próprio Congresso americano quanto à estratégia da Casa Branca, que estaria, segundo os parlamentares, misturando interesses comerciais com lealdades ideológicas.

Internamente, o governo brasileiro articula com estados e setor privado a construção de uma cadeia de valor nacional para os minerais críticos. A ideia é não apenas proteger as jazidas, mas também desenvolver a capacidade de refino e industrialização local. A nova política nacional trará diretrizes claras para a atuação de empresas estrangeiras no setor, exigindo transferência de tecnologia, respeito ambiental e estímulo à industrialização regional. O modelo busca equilíbrio entre soberania, sustentabilidade e competitividade.

O cenário ainda é incerto. Os EUA não deram qualquer sinal de que pretendem abrir mão do tarifaço como moeda de troca para obtenção de minérios. Por ora, a leitura em Brasília é de que a movimentação de Escobar serve mais como “balão de ensaio” do que como passo diplomático concreto. A postura do Itamaraty será manter a autonomia na formulação de política externa e energética, evitando qualquer concessão precipitada em nome de interesses estrangeiros.

Fonte: G1.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.