Feriado em São Paulo terá dia mais curto do ano; veja por que 9 de julho se comemora a Revolução Constitucionalista de 1932
O feriado de 9 de julho em São Paulo, tradicionalmente marcado por homenagens à Revolução Constitucionalista de 1932, ganha em 2025 um destaque inédito. Neste ano, além das cerimônias cívicas e eventos oficiais, a data coincide com o dia mais curto já registrado na Terra, resultado de uma aceleração milimétrica da rotação do planeta.
Pontos Principais:
- 9 de julho marca a Revolução Constitucionalista e é feriado estadual em SP.
- Nesta quarta, a Terra terá o menor dia já registrado por relógios atômicos.
- Fenômeno se deve à aceleração da rotação terrestre, influenciada por fatores lunares.
- Ciência avalia adoção inédita de segundo intercalar negativo até 2029.
Enquanto a população paulista relembra a luta por uma nova Constituição e democracia, cientistas ao redor do mundo voltam sua atenção para uma anomalia temporal. Pela primeira vez desde o início das medições modernas com relógios atômicos, um dia será concluído com até 1,6 milissegundos a menos que o habitual, alterando o padrão de 24 horas.

Essa coincidência entre história e ciência transforma a data em algo singular. Ao mesmo tempo em que relembra um passado decisivo, o feriado de 2025 oferece uma nova perspectiva sobre o funcionamento do planeta e os impactos que até pequenas alterações temporais podem causar em sistemas globais.
O legado histórico da Revolução Constitucionalista
Em 9 de julho de 1932, São Paulo deu início a um dos mais emblemáticos movimentos políticos da história brasileira. A Revolução Constitucionalista foi uma reação direta ao governo provisório de Getúlio Vargas, instaurado após a Revolução de 1930, que suspendeu a Constituição e os poderes legislativos nos estados.
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O estopim do levante foi o assassinato de quatro estudantes paulistas durante um protesto contra o regime, o que originou a sigla MMDC (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo). Em resposta, civis, militares e voluntários paulistas organizaram uma ofensiva armada exigindo a convocação de uma nova Assembleia Constituinte.
Apesar da derrota militar após cerca de três meses de conflito, a revolução conquistou vitórias políticas importantes. Em 1934, Vargas convocou a Constituinte e promulgou uma nova Constituição, reconhecendo parte das reivindicações paulistas.
Desde 1997, o dia 9 de julho é feriado estadual em São Paulo, com celebrações que incluem desfiles no Ibirapuera, homenagens no Obelisco, eventos esportivos e ações educativas em escolas e instituições públicas.
Terra mais rápida: por que o dia será encurtado?
A data de 9 de julho de 2025 marca também o dia mais curto do ano — e possivelmente o menor já registrado na história desde que se mede a rotação da Terra com precisão atômica. A expectativa dos cientistas é que o planeta complete sua volta cerca de 1,3 a 1,6 milissegundos mais rápido que o habitual.
Essa variação parece pequena, mas tem grande relevância técnica. O fenômeno vem sendo observado desde 2020, com uma sequência de dias ligeiramente mais curtos, algo que se intensificou em 2024 e atingiu um novo ápice neste ano.
O encurtamento do dia está ligado à aceleração da rotação da Terra. Quando o planeta gira mais rápido, o tempo de uma rotação completa diminui. Essa oscilação ocorre por múltiplas razões, que vão desde eventos astronômicos até dinâmicas internas do globo.
Mesmo que imperceptível no cotidiano das pessoas, essa mudança exige atenção de cientistas e engenheiros, pois afeta diretamente sistemas globais de cronometragem, como GPS, telecomunicações, bolsas de valores e satélites em órbita.
O que faz a Terra girar mais depressa?
Entre os fatores apontados por especialistas para a aceleração da rotação terrestre, destacam-se aspectos tanto astronômicos quanto internos ao planeta. A principal explicação atual envolve a interação gravitacional com a Lua.
Fatores que contribuem para a rotação acelerada:
- Posição da Lua em relação ao equador terrestre, que reduz o atrito causado pelas marés;
- Movimentações do núcleo da Terra, que alteram o equilíbrio de massas;
- Redistribuição de água nos oceanos e massas atmosféricas devido a mudanças climáticas;
- Atividades sísmicas que redistribuem o peso da crosta terrestre.
Esses elementos agem em conjunto, provocando variações quase imperceptíveis, mas cumulativas, no giro da Terra. Embora ainda não se compreenda totalmente a dinâmica entre todos esses fatores, as medições recentes indicam que o planeta está, de fato, girando um pouco mais rápido.
A comunidade científica segue acompanhando o fenômeno com equipamentos ultra-precisos, já prevendo que novas reduções milimétricas no comprimento do dia possam ocorrer nos próximos meses.
Impactos globais e o futuro do tempo cronometrado
A rotação mais rápida do planeta exige ajustes no sistema internacional de medição de tempo. O mais discutido atualmente é o possível uso, pela primeira vez na história, de um segundo intercalar negativo — ou seja, subtrair um segundo do Tempo Universal Coordenado (UTC).
Esse ajuste é feito para manter a sincronia entre o tempo baseado na rotação da Terra (tempo solar) e o tempo dos relógios atômicos. Até hoje, só foram feitos ajustes positivos, adicionando um segundo para compensar desacelerações. Um segundo negativo seria inédito e está em estudo para ocorrer até 2029.
A decisão será tomada pelo IERS (Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra), que monitora as variações na duração dos dias e o impacto disso nos sistemas digitais e científicos.
Enquanto isso, o 9 de julho de 2025 entra para a história como um dia de múltiplos significados: ao mesmo tempo em que celebra o esforço paulista por uma constituição, também marca um ponto de virada no acompanhamento da própria rotação do planeta.
O feriado em São Paulo, que já carrega um valor simbólico imenso, ganhou neste ano uma camada adicional de relevância histórica e científica. O encontro entre um evento político que moldou o Brasil moderno e uma anomalia temporal sem precedentes transforma o 9 de julho de 2025 em uma data que ficará marcada não apenas na memória coletiva dos paulistas, mas também nos registros científicos globais.
A expectativa é de que fenômenos semelhantes ocorram nos próximos meses, como nos dias 22 de julho e 5 de agosto. Resta à ciência ajustar o tempo — literalmente — e à sociedade seguir acompanhando como a rotação do planeta, milissegundo a milissegundo, pode mudar até nossa noção de duração do dia.


































