Leva multa: Estas 5 infrações de trânsito são cometidas por motoristas todos os dias sem perceber

Brasil soma milhões de multas em 2025, com São Paulo à frente. Excesso de velocidade, celular ao volante e avanço de sinal dominam o ranking das infrações mais cometidas.
Publicado por em Brasil dia

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O trânsito brasileiro vive uma crise silenciosa e persistente. Até maio de 2025, São Paulo registrou mais de 25 milhões de autuações, número que expõe um problema estrutural na forma como motoristas encaram as regras de circulação. A cada esquina, radares e câmeras registram comportamentos que vão muito além da distração: revelam um padrão de descuido que, somado, resulta em risco coletivo.

Pontos Principais:

  • Mais de 25 milhões de multas foram aplicadas em São Paulo até maio de 2025.
  • Excesso de velocidade e uso de celular lideram as infrações mais cometidas no país.
  • Minas Gerais, Paraná, Rio e Bahia também registram números alarmantes.
  • Infrações gravíssimas representam a maioria das autuações e podem suspender a CNH.

Outros estados seguem a mesma tendência. Minas Gerais aparece com 7,6 milhões de multas, o Paraná contabiliza 6,2 milhões, o Rio de Janeiro 5,8 milhões e a Bahia fecha o ranking com 4,7 milhões. São dados que não se restringem à estatística — refletem uma rotina de infrações que pressiona os sistemas de fiscalização e amplia a sobrecarga nos órgãos de trânsito.

As autuações em 2025 expõem uma cultura de risco consolidada, marcada pela pressa e desatenção. São Paulo lidera o ranking com larga vantagem sobre os demais estados.
As autuações em 2025 expõem uma cultura de risco consolidada, marcada pela pressa e desatenção. São Paulo lidera o ranking com larga vantagem sobre os demais estados.

Entre as condutas mais frequentes estão o excesso de velocidade, o avanço de sinal vermelho e o uso do celular ao volante. Essas práticas, classificadas como gravíssimas pelo Código de Trânsito Brasileiro, representam a maior parcela das ocorrências e, em muitos casos, estão diretamente ligadas a acidentes fatais. A recorrência dessas violações aponta para uma mistura de impunidade e comportamento de risco, que nem sempre é corrigida com punições financeiras.

Há também infrações que parecem menores, mas geram impactos significativos. Estacionar em local proibido, trafegar em faixas exclusivas e circular com o licenciamento vencido estão entre as situações mais recorrentes, mesmo com campanhas de conscientização em curso. São Paulo, sozinha, responde por 36% das autuações nacionais por excesso de velocidade, seguida pelo uso indevido do celular, responsável por 21% das multas registradas.

O sistema de pontuação da CNH reflete a gravidade dessas infrações. Enquanto uma infração leve soma três pontos, a média adiciona quatro, a grave cinco e a gravíssima chega a sete. Em casos extremos, o condutor pode ter a carteira suspensa por até doze meses, independentemente do total acumulado. Esse rigor, no entanto, ainda parece insuficiente para conter o aumento do desrespeito às normas.

A análise de especialistas reforça que o problema não é apenas de fiscalização, mas de cultura. A ideia de que pequenas transgressões são toleráveis alimenta um ciclo de negligência. A pressa cotidiana, o uso de aplicativos e o hábito de “burlar o sistema” transformam o espaço público em uma arena de riscos previsíveis, mas ignorados por boa parte dos condutores.

As campanhas educativas seguem sendo o elo mais frágil da política de trânsito. Enquanto as multas crescem, ações de prevenção e formação permanecem tímidas. A educação viária, que deveria ser incorporada desde o ensino básico, ainda é tratada como tema secundário. O resultado é visível: um país com milhões de motoristas autuados, mas poucos verdadeiramente conscientes sobre o que significa dividir as ruas.

O retrato de 2025 revela um país onde a combinação entre tecnologia de fiscalização e comportamento humano ainda está desequilibrada. O investimento em radares e monitoramento digital reduziu parte das brechas, mas a mudança de conduta depende de fatores mais profundos — da valorização da vida à responsabilidade compartilhada no trânsito.

Fonte: Newsmotor e AutoPapo.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.