PT reforça campanha pela “Taxação BBB”, enfrenta o Congresso e leva batalha fiscal ao STF
Um vídeo de 1 minuto, com estética popular e gerado por inteligência artificial, reacendeu a disputa entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Publicado nas redes sociais do PT na última sexta-feira, 27 de junho, o material defende a taxação dos “super-ricos” e se transformou em peça-chave da nova estratégia do governo para sustentar a narrativa da justiça tributária. A peça, que viralizou rapidamente, apresenta trabalhadores carregando sacos pesados rotulados como “imposto”, enquanto figuras ricas de terno caminham livremente ao lado.
Pontos Principais:
- PT lança vídeo nas redes defendendo a “Taxação BBB” sobre bilionários, bancos e apostas.
- Campanha é reação à queda do aumento do IOF, rejeitado pelo Congresso Nacional.
- Governo estuda judicializar decisão e já conta com ADI do PSOL no STF.
- Arthur Lira adia entrega do relatório da reforma do Imposto de Renda.
- Oposição, com Romeu Zema à frente, responde com vídeos e críticas à gestão Lula.
A campanha é uma resposta direta à derrota sofrida dias antes, quando o Congresso derrubou o decreto presidencial que aumentava o IOF — imposto sobre operações financeiras —, medida que teria impacto direto em bancos, seguradoras e grandes investidores. Estima-se que a perda com essa revogação possa passar de R$ 12 bilhões em arrecadação apenas em 2025. A reação governista foi imediata: além do vídeo, a Advocacia-Geral da União (AGU) estuda judicializar a decisão, e o PSOL já protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF.

Em evento público no Tocantins, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o tom emocional da campanha, dizendo que “governa para todos”, mas que tem lado, e o lado é o do povo trabalhador. Ele afirmou ainda que a classe média, professores e assalariados são os que realmente pagam imposto no Brasil. A fala ecoa a proposta do novo Imposto de Renda: isenção para quem ganha até R$ 5 mil e aumento da carga para quem recebe mais de R$ 50 mil por mês.
A estratégia do governo é dupla: de um lado, mobilizar a base nas redes sociais para pressionar o Congresso; de outro, tentar avançar no debate técnico com o Legislativo. O relator da reforma do IR, Arthur Lira (PP-AL), adiou a entrega de seu parecer, alegando a escalada da tensão institucional. Nos bastidores, lideranças do Centrão resistem à proposta do governo e acusam o Planalto de tentar cobrir rombos fiscais aumentando impostos sem cortar gastos.
Do lado da oposição, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, lançou um vídeo-resposta no Instagram com estética semelhante à peça petista. Na publicação, Zema critica diretamente Lula, Janja e Haddad, acusando-os de sufocar o povo com aumentos de impostos, viagens milionárias e escândalos no INSS. A fala tem eco entre parlamentares como Luciano Zucco (PL-RS), que acusam o governo de usar o STF como instrumento político para driblar decisões legítimas do Congresso.
Enquanto a disputa avança no campo institucional, outras medidas do governo seguem em vigor. A MP publicada em junho elevou a tributação sobre apostas online de 12% para 18%, aumentou a CSLL de bancos de 9% para 15% e encerrou a isenção de imposto para LCI, LCA e debêntures incentivadas, que passam a pagar alíquota de 5%. A lógica, segundo o Ministério da Fazenda, é redistribuir a carga tributária sem penalizar ainda mais quem depende do salário para viver.
Para além da retórica, o cenário é de impasse. Os cortes no orçamento, caso o governo não consiga novas receitas, devem atingir áreas sensíveis como saúde, educação e programas sociais. O risco de desgaste político é real, e a base aliada teme perder apoio em ano pré-eleitoral. Emendas parlamentares também estão na linha de corte, o que pode ampliar ainda mais a distância entre Executivo e Legislativo.
A campanha digital do PT evoca obras clássicas como “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, e “Germinal”, de Émile Zola. A estética do vídeo e a escolha de símbolos remetem ao operariado oprimido e aos ricos imunes ao sistema tributário — uma imagem potente que toca no imaginário coletivo brasileiro. É uma aposta narrativa e emocional para virar o jogo na sociedade enquanto o Congresso fecha portas.
Apesar das críticas, a campanha ganhou tração. Influenciadores simpáticos ao governo e veículos alinhados compartilharam o conteúdo, e hashtags como #TaxaçãoBBB e #JustiçaTributária figuraram entre os assuntos mais comentados. A adesão popular à ideia de que “quem tem mais, deve pagar mais” ainda é alta — especialmente entre os eleitores que garantiram a vitória de Lula em 2022.
No entanto, especialistas em contas públicas alertam que, sem diálogo institucional, medidas como essas tendem a travar. A judicialização da política fiscal acende um alerta: pode-se ganhar no discurso, mas perder na governabilidade. Com um orçamento apertado, baixa margem de manobra e resistência empresarial, o desafio do governo é encontrar equilíbrio entre narrativa e execução.



































