Venezuela teve dívida perdoada pelo Brasil? Governo nega e mantém cobrança ativa de R$ 9,9 bi

Circulam boatos de que o Brasil teria perdoado a dívida da Venezuela, mas o governo nega. Cobrança segue ativa e envolve articulação técnica e diplomática.
Publicado por em Brasil dia

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A postagem começou a circular nas redes sociais no início de julho, alegando que o Brasil teria perdoado uma dívida bilionária da Venezuela. O valor citado era de R$ 9,2 bilhões, fruto de financiamentos concedidos por meio do BNDES para obras de infraestrutura naquele país. O conteúdo viralizou no Instagram, Facebook e X, mas foi desmentido oficialmente pela Secretaria de Assuntos Internacionais da Fazenda.

Pontos Principais:

  • Governo brasileiro desmente perdão da dívida de R$ 9,9 bilhões da Venezuela.
  • Valor refere-se a financiamentos feitos pelo BNDES entre 2007 e 2013.
  • Fazenda segue cobrando via canais diplomáticos e administrativos.
  • Parte da dívida foi coberta pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE).
  • Brasil compartilha informações sobre a dívida no Clube de Paris.

O governo brasileiro afirma que não houve qualquer renegociação da dívida venezuelana. Ao contrário do que sugerem as publicações, o valor total — que, somado a juros de mora, chega hoje a R$ 9,91 bilhões — continua sendo cobrado pela União. O processo ocorre tanto por instrumentos diplomáticos como por medidas técnicas administrativas, segundo informou Rafael Tatemoto, da equipe do Ministério da Fazenda.

A dívida foi gerada por contratos firmados nos anos 2000 e 2010, quando o BNDES financiou projetos como o metrô de Caracas e uma usina siderúrgica no país vizinho - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A dívida foi gerada por contratos firmados nos anos 2000 e 2010, quando o BNDES financiou projetos como o metrô de Caracas e uma usina siderúrgica no país vizinho – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entre as ações em curso, estão reuniões com representantes do governo da Venezuela, realizadas em agosto e setembro de 2023. O objetivo foi retomar o diálogo e buscar uma conciliação dos valores em aberto. Além disso, a Fazenda envia ofícios de cobrança regularmente, com apoio do Ministério das Relações Exteriores, e mantém um canal técnico aberto para esclarecimentos contratuais e atualizações documentais.

Esses contratos estão ligados a operações feitas entre 2007 e 2013, período em que o BNDES financiou projetos de exportação de serviços de engenharia. Empresas brasileiras foram contratadas para tocar obras como linhas do metrô de Caracas, uma usina siderúrgica e um estaleiro. O recurso, embora fosse liberado em reais no Brasil, tinha como destino final a execução desses projetos em território venezuelano.

Com o agravamento da crise econômica da Venezuela, os pagamentos foram interrompidos. O BNDES, então, acionou o Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para cobrir os calotes. Esse fundo é vinculado ao Tesouro Nacional e tem como função ressarcir o governo quando financiamentos com garantias públicas deixam de ser quitados. Atualmente, o valor segurado pelo FGE está estimado em US$ 797 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões).

O Brasil também compartilha informações com credores internacionais no âmbito do Clube de Paris — fórum informal entre países credores que trata de renegociações de dívidas com países em crise. A participação brasileira reforça a estratégia de cobrança e amplia a possibilidade de articulação coletiva para pressionar a Venezuela a honrar seus compromissos.

Apesar da lentidão do processo, a Fazenda afirma que não cogita perdoar o valor. A política do governo é manter o processo de cobrança ativo, utilizando todos os mecanismos legais e diplomáticos à disposição. O desmentido público vem em resposta direta ao aumento da circulação de desinformação nas redes sociais, especialmente em períodos politicamente sensíveis.

Fonte: G1.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.