A autonomia costuma dominar as preocupações de quem compra um carro elétrico, mas a pressão dos pneus também interfere na distância percorrida por carga, porque rodar abaixo da calibragem recomendada aumenta o esforço necessário para movimentar o veículo.
O pneu murcho se deforma mais e amplia a área de contato com o asfalto, com isso, cresce a resistência ao rolamento e o motor elétrico precisa retirar mais energia da bateria para manter a velocidade, mesmo que o motorista não perceba nenhuma mudança imediata ao volante.
O Departamento de Energia dos Estados Unidos calcula que a calibragem correta pode melhorar a eficiência em 0,6% na média e até 3% em determinadas situações, números obtidos principalmente com veículos a combustão, mas o efeito físico também atinge os elétricos, sem permitir uma perda fixa de autonomia para todos os modelos.
A redução varia conforme o quanto a pressão caiu, o peso transportado, a velocidade, a temperatura, o desenho do pneu e o tipo de pavimento, por isso, dois carros iguais podem registrar consumos diferentes mesmo seguindo a mesma rota.
Fabricantes como BYD, Chevrolet, Tesla e Volvo orientam a conferência regular da pressão, enquanto Michelin e Bridgestone relacionam a calibragem correta à eficiência energética, à estabilidade e à duração da borracha.
Grande parte dos elétricos vendidos atualmente utiliza o TPMS, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, que acende uma luz no painel quando identifica queda relevante, porém a NHTSA alerta que o equipamento não substitui a medição periódica com um calibrador.
Nos Estados Unidos, a regulamentação determina que o sistema reconheça uma pressão 25% ou mais abaixo do valor recomendado pela fabricante, portanto o carro pode rodar com calibragem inadequada e consumir energia adicional antes que o motorista receba o aviso no painel.
A medição deve ser realizada com os pneus frios e seguir a etiqueta instalada na porta ou na coluna do motorista, ou o manual do proprietário, sem usar como referência a pressão máxima gravada na lateral do pneu, que não representa a calibragem definida para cada veículo.
Além da autonomia menor, a pressão incorreta acelera o desgaste, prejudica a estabilidade, interfere na frenagem e aumenta o risco de danos, enquanto excesso de carga, desalinhamento e pneus fora da especificação também elevam o consumo, o que pode retirar quilômetros da carga antes mesmo de o TPMS acender.
“O carro elétrico é eficiente, mas não consegue discutir com a física, um pneu murcho transforma parte da energia da bateria em esforço desperdiçado, justamente quando cada quilômetro de autonomia tem valor para o motorista.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo
Fonte: Canaltech.