Cemitério de carros em Fukushima guarda Nissan Skyline GT-R, Lancer Evolution e Honda S2000 abandonados após desastre nuclear
Quinze anos após o terremoto e o tsunami de 2011, dezenas de carros continuam abandonados na zona de exclusão de Fukushima, no Japão, onde oficinas, lojas e pátios foram esvaziados às pressas depois do acidente na usina nuclear. Muitos veículos ficaram com portas destrancadas e chaves na ignição porque seus donos não puderam voltar para buscá-los.
O abandono preservou parte da história automotiva japonesa, mas em condições que impedem qualquer comemoração. Entre os carros encontrados estão Nissan Skyline GT-R, Mitsubishi Lancer Evolution, Honda S2000, Nissan Silvia S15, Toyota Celica GT-Four e Toyota MR2, modelos hoje disputados por colecionadores em vários países.
Também foram localizados um Mazda Carol dos anos 1960, um Eunos 800, exemplares do Chevrolet Impala modificados no estilo lowrider, Subaru WRX, Nissan 300ZX e até um Porsche 911 Carrera 4 da geração 964. Alguns estavam em concessionárias e oficinas, enquanto outros foram deixados em terrenos tomados pelo mato.
Radiação impede retirada e exportação dos carros
A carroceria e outras partes de alguns veículos foram contaminadas por material radioativo, o que impede sua retirada sem controle. Em uma medição divulgada por exploradores, um Datsun Violet de rali registrou 0,45 microsievert, enquanto o limite citado para exportação seria de 0,30 microsievert, condição que bloqueia a venda para compradores estrangeiros.
Parte dos carros foi separada para desmanche, incluindo um Honda S2000, um Toyota Mark II da geração X90 e um Toyota Land Cruiser da série 200. Os veículos que permaneceram nos pátios continuam sofrendo com chuva, umidade, ferrugem e vegetação, e a contaminação ainda impede que peças valiosas sejam tratadas como componentes usados comuns.
Skyline GT-R foi depenado e Toyota MR2 desapareceu
Mesmo com o risco de exposição à radiação e as restrições de acesso, expedições realizadas em anos diferentes registraram furtos e desmontagens. Um Nissan Skyline GT-R R32 perdeu peças aos poucos, enquanto um Toyota MR2 AW11 desapareceu do local onde havia sido filmado, sem confirmação sobre seu destino.
O prejuízo automotivo, porém, não se compara ao impacto humano do desastre que obrigou dezenas de milhares de pessoas a abandonar casas, comércios e objetos pessoais. Os carros continuam como registros materiais da evacuação de 2011, presos em uma área onde a retirada depende de medição, descontaminação e autorização, enquanto cada ano de exposição destrói componentes que já não podem ser recuperados.
“Diante de um Skyline GT-R abandonado, o primeiro impulso de qualquer apaixonado por carros seria tentar salvá-lo, mas Fukushima impõe uma realidade brutal: uma máquina pode ser restaurada, enquanto a radiação carregada para fora daquele terreno criaria um problema muito maior.” – Opinião de Alan Corrêa, jornalista automotivo

































