Fernanda Campos sobe em capô de Porsche e faz treino funcional que pode sair muito caro
Fernanda Campos, influenciadora com mais de 1,1 milhão de seguidores, atraiu atenção nas redes sociais ao compartilhar um vídeo de treino funcional realizado sobre o capô de um Porsche 911 Carrera Coupé. O registro, que rapidamente se espalhou, abriu um debate que vai muito além do exibicionismo e alcança temas como segurança automotiva, integridade física e prejuízos financeiros.
Pontos Principais:
- Influenciadora Fernanda Campos fez treino funcional sobre o capô de um Porsche 911.
- Capô pode deformar com apenas 16,3 kg, gerando reparos de até R$ 100 mil.
- Norma UN R127 exige capôs amassáveis para reduzir impacto em atropelamentos.
- Especialistas alertam para riscos de lesões e execução inadequada de exercícios.
O Porsche 911 em questão pertence à última geração lançada em 2019, equipado com motor de 385 cavalos. No mercado de usados, mesmo com alguns anos de uso, unidades do modelo são negociadas entre R$ 670 mil e R$ 700 mil. Apesar da robustez mecânica, a estrutura da carroceria é projetada para finalidades específicas e não para suportar peso humano em áreas como o capô.

De acordo com o manual técnico, cargas só devem ser posicionadas no teto e com adaptadores próprios, distribuindo o peso para as colunas estruturais. Mesmo assim, o limite é de 75 quilos. O capô, por sua vez, é vulnerável: testes do setor indicam que cerca de 16,3 quilos já podem provocar deformações permanentes. A reparação, em casos mais graves, pode custar entre R$ 40 mil e R$ 100 mil, e peças usadas não saem por menos de R$ 30 mil.
A educadora física Maria Lúcia Rubens alerta que executar exercícios sobre superfícies instáveis compromete a postura e a ativação muscular correta. Além disso, o risco de queda é elevado, podendo resultar em fraturas e lesões graves. O próprio formato inclinado e o acabamento liso do capô ampliam a instabilidade, o que aumenta a chance de acidentes.
Esse aspecto técnico está diretamente ligado à evolução das normas internacionais de segurança veicular. Capôs amassáveis não são defeitos, mas requisitos para reduzir a gravidade de atropelamentos, absorvendo parte do impacto, especialmente na região da cabeça. Esse conceito faz parte do regulamento UN R127, estabelecido pela ONU e adotado gradualmente no Brasil desde janeiro de 2025, com prazo total até 2030.
A norma também inclui mudanças nos para-choques, voltadas a minimizar lesões nos membros inferiores. Essa adaptação exige que montadoras ajustem o design e a resistência das peças, conciliando desempenho, estética e segurança. No caso do Porsche 911, a engenharia atende a padrões de proteção para pedestres, mas não oferece resistência para suportar exercícios físicos sobre o capô.
O episódio, embora tenha sido tratado por parte do público como uma excentricidade, traz implicações sérias. Ao unir elementos de cultura digital, comportamento e engenharia automotiva, expõe a distância entre o imaginário associado aos carros de luxo e as especificações técnicas que garantem sua integridade. No caso de Fernanda Campos, a repercussão também serviu de alerta para riscos pouco discutidos, mas relevantes tanto para a saúde quanto para o bolso.


































